Neymar saiu da Neo Química Arena, na tarde deste domingo, derrotado pelo placar, contrariado com a arbitragem e ainda preso à principal pergunta do futebol brasileiro na véspera da convocação para a Copa do Mundo de 2026. No último jogo antes da lista final de Carlo Ancelotti, o camisa 10 do Santos viveu uma tarde de sinais contraditórios: chorou durante o hino nacional, teve atuação discreta no fiasco, por 3 a 0, diante do Coritiba, foi retirado de campo em uma substituição equivocada e, depois da partida, tratou publicamente do sonho de voltar a disputar um Mundial.

Tudo sobre a Copa do Mundo

A convocação da seleção brasileira será anunciada nesta segunda-feira, em evento marcado para as 17h, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A lista terá 26 jogadores, e Neymar chega à véspera do anúncio como o nome de maior peso simbólico e também o de maior debate técnico.

Neymar vive a expectativa com a convocação para a seleção brasileira para a disputa da Copa do Mundo / Santos FC

O técnico Carlo Ancelotti já indicou que a decisão não será tomada por histórico, popularidade ou gratidão, mas pela combinação entre condição física, rendimento e encaixe no modelo de jogo da seleção. 

Depois da partida contra o Coritiba, em uma ação que beira o marketing pessoal, Neymar apareceu com um casaco verde e amarelo e negou que a escolha da peça fosse uma mensagem direta ao treinador. Segundo o camisa 10 do Pexe, o casaco foi presente de Romeo Beckham, filho do ex-jogador inglês David Beckham. O atacante, no entanto, não escondeu o ambiente de espera em torno da convocação. 

“Sou brasileiro como você também é. Todo mundo está esperando isso”, afirmou. Em seguida, reforçou o objetivo que conduziu sua recuperação recente: “É meu sonho, sempre deixei isso bem claro, estar na Copa do Mundo. Eu trabalhei para isso”, disse Neymar.

Esforço redobrado

A fala teve peso porque Neymar não chega a essa convocação apenas pela memória do jogador que carregou a seleção em ciclos anteriores. Ele chega depois de um período longo de lesões, questionamentos públicos sobre sua forma física e tentativas de reconstrução no Santos.

Aos 34 anos, o atacante tenta transformar regularidade recente em argumento suficiente para Ancelotti. Em 2026, Neymar soma seis gols e quatro assistências pelo Santos na temporada.

Na entrevista, Neymar procurou responder justamente ao ponto que mais pesa na análise da comissão técnica. “Fisicamente, me sinto muito bem”, afirmou. O jogador afirmou que vem evoluindo a cada partida e admitiu que o caminho até a véspera da lista foi mais duro do que parecia fora de campo. Sem citar nomes, criticou comentários sobre sua rotina e suas condições físicas, dizendo que trabalhou “firme, quieto, em casa” para chegar inteiro ao momento da convocação.

Neymar furioso com a substituição

A derrota para o Coritiba, porém, não ajudou a reduzir a tensão em torno do seu nome. Dentro de campo, Neymar não conseguiu conduzir uma reação do Santos e acabou envolvido no lance mais confuso da partida.

O Santos sustentou que houve erro operacional na substituição: o jogador a sair seria Gonzalo Escobar, mas a placa exibiu o número 10. Neymar tentou permanecer em campo, protestou, recebeu cartão amarelo e acabou assistindo aos minutos finais do banco de reservas. O Santos atribuiu a confusão ao quarto árbitro, amparado por imagens de televisão e pela anotação usada na troca. 

O episódio colocou uma camada adicional de dramaticidade em uma tarde que já tinha valor de despedida temporária — ou de frustração definitiva — antes da lista. Neymar sabia que aquela era sua última exposição pública em jogo oficial antes da decisão de Ancelotti. Por isso, mesmo em uma derrota pesada do Santos, a entrevista pós-jogo foi menos sobre o placar e mais sobre a disputa silenciosa por uma vaga entre os 26.

Neymar mostra o papel com os nomes dos jogadores envolvidos na substituição
Neymar mostra para a câmera de TV o papel com os nomes dos jogadores envolvidos na substituição / Reprodução TV

Preparação para dois cenários

O atacante também evitou colocar a convocação como uma exigência pessoal. Disse que, caso não esteja na lista, será “mais um torcendo pelo Brasil na Copa”. Ao mesmo tempo, deixou claro que se considera apto para competir pelo lugar. Ao encerrar a avaliação, transferiu a decisão para Ancelotti: “Que amanhã seja o que Deus quiser. Independente do que for acontecer, com certeza o Ancelotti convocará os 26 melhores”.

Nos bastidores, o Santos já trabalha com a possibilidade de ver seu principal jogador convocado. O clube prepara uma programação específica para os próximos dias e planeja ações de valorização caso o nome de Neymar seja confirmado. 

O otimismo interno, no entanto, não elimina o caráter técnico da escolha. A decisão final pertence a Ancelotti, que terá de calcular o peso de levar o maior artilheiro da história da seleção brasileira em um elenco que precisa de intensidade, equilíbrio físico e alternativas ofensivas confiáveis.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

Entretanto, a lista de Ancelotti dirá se essa reconstrução foi suficiente para recolocar o camisa 10 no palco da Copa — ou se o ciclo brasileiro no Mundial de 2026 começará sem o jogador que, por mais de uma década, ocupou o centro emocional da seleção.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui