Depois da vitória por 1 a 0 diante do Mirassol na reabertura do Allianz Parque, no domingo, Abel Ferreira voltou a subir o tom para reclamar do calendário do futebol brasileiro. A CBF mudou tudo em 2026, mas não ficou bom para ninguém. O técnico do Palmeiras também ponderou que o adversário havia tido mais tempo de descanso do que o seu elenco. “Infelizmente, enquanto nós fomos disputar a final do Paulistão, as equipes descansaram, prepararam os jogadores, recuperaram a equipe e os jogadores lesionados.”

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Apesar da cruzada do português contra a CBF ser recorrente e de Abel se valer dom problema para justificar o baixo rendimento do time, há algo que está acima do julgamento dos torcedores: os números. E eles mostram que a decepção do treinador não foi apenas mais um capítulo de seu histórico de reclamações e de manipular a mídia.

Abel Ferreira reclama há bastante tempo do calendário do futebol brasileiro, sem folgas e com muitos jogos / Palmeiras

Concluídas as seis primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras é, entre as cinco equipes que ocupam a zona de classificação para a Libertadores neste momento, a que mais jogou e que menos teve tempo de descanso médio entre os seus compromissos. No levantamento feito pelo The Football entre 10 de janeiro (estreia na temporada) e 15 de março (último jogo) – o que gera um recorte total de 64 dias –, o time de Abel fez 18 jogos – com 14 vitórias, dois empates e duas derrotas. O intervalo médio de um jogo para o outro foi de 3,5 dias.

66 horas diz a regra

Portanto, o técnico viu sua equipe ser submetida ao limite do Regulamento Geral de Competições da CBF. Embora o intervalo mínimo de 66 horas entre os jogos (o que dá dois dias e 18 horas) tenha sido respeitado, a prática revela uma realidade de “viagem-jogo-recuperação-viagem-jogo” sem parar e sem janelas para descanso e treinos.

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O momento de maior respiro da temporada para a comissão técnica de Abel ocorreu após o empate com o Guarani, no dia 15 de fevereiro. Depois desse jogo, o time teve seis dias de intervalo até o confronto com o Capivariano, que terminou em goleada por 4 a 0. A menor folga do período é de três dias. Isso ocorreu em seis ocasiões somente nesta temporada até agora.

Todas as partidas

10/1 (fora) Portuguesa 1 x 0
14/1 (casa) Santos 1 x 0
17/1 (c) Mirassol 1 x 0
20/1 (f) Novorizontino 0 x 4
24/1 (c) São Paulo 3 x 1
28/1 (f) Atlético-MG 2 x 2
1/2 (f) Botafogo-SP 0 x 1
4/2 (c) Vitória 5 x 1
8/2 (f) Corinthians 1 x 0
12/2 (f) Inter 3 x 1
15/2 (c) Guarani 1 x 1
21/2 (c) Capivariano 4 x 0
25/2 (c) Fluminense 2 x 1
1/3 (c) São Paulo 2 x 1
4/3 (c) Novorizontino 1 x 0
8/3 (f) Novorizontino 2 x 1
12/3 (f) Vasco 2 x 1
15/3 (c) Mirassol 1 x 0

O São Paulo, líder do Brasileirão, teve uma média de descanso de 4 dias entre os 16 jogos que fez na temporada. É meio dia a mais comparado ao Palmeiras. Se o verde reclama pela quantidade de jogos e jogos empilhados, o Bahia (4º colocado) sofre pela distância percorrida. Sob o comando de Rogério Ceni, o clube enfrentou o desgaste das viagens para a Libertadores, compensado por uma média levemente superior de descanso (3,76) entre as 17 partidas que disputou.

Agora comandado por Roger Machado, o São Paulo fez 14 jogos com intervalo médio de 4,57 dias entre eles / São Paulo FC

O Flamengo, 5º colocado no Nacional, apesar do desgaste “gerado pelo sucesso do ano passado”, conseguiu se manter no bloco de cima, mas viu o seu desempenho cair. O Rubro-Negro também jogou 18 vezes. Já o Fluminense (3º) soma 16, com 4 dias de descanso. Ambos fizeram a final do Estadual. Ou seja: o calendário é ruim para todo mundo.

A broca do Abel

No dia 2 de março, na coletiva após o confronto com o São Paulo na semifinal do Paulistão, Abel já havia comentado sobre o tema que traria à baila novamente no último domingo. “O futebol brasileiro não deixa as equipes recuperarem os seus atletas. Não vou defender ninguém, vou defender aqui o que é a minha ideia e verdade. Não acho justo uma equipe ter mais um dia que a outra de descanso.”

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