Reclamar da arbitragem é um direito de qualquer clube. O Palmeiras, ao enviar um ofício à CBF questionando a atuação de Wilton Pereira Sampaio no clássico com o Corinthians pela Copa do Brasil, apenas exerceu esse direito. Mas é preciso olhar além do gesto protocolar da diretoria do clube para entender o real peso da iniciativa.

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A crítica à atuação do árbitro é legítima — a arbitragem brasileira é, de fato, ruim. Profissionais despreparados, decisões inconsistentes, uso hesitante do VAR: tudo isso contribui para um cenário em que a desconfiança virou regra. Mas quando dirigentes só se manifestam em momentos em que se sentem prejudicados, fica difícil acreditar que a motivação seja o bem do futebol.

Corinthians e Palmeiras: tradicional foto após os capitães das equipes seguirem as orientações do árbitro / Palmeiras

O Palmeiras de Leila Pereira não foge à regra. Quando o Palmeiras é beneficiado, ela silencia. Assume o mesmo discurso cômodo de que “erro faz parte do jogo. Abel Ferreira, aliás, também segue a cartilha. Demonizam a arbitragem quando perdem, aplaudem o silêncio quando ganham — comportamento idêntico ao de todos os outros dirigentes e técnicos do país. Todos.

Pressão na arbitragem no Allianz

O ofício enviado à CBF, além de seletiva, carrega um componente ainda mais clássico: a tentativa de plantar pressão para o jogo da volta. A mensagem é clara: “Estamos de olho”. A intenção, nem tão disfarçada, é condicionar quem quer que seja escalado para apitar a partida no Allianz Parque. É um aviso com endereço certo: na dúvida, melhor não marcar contra o Palmeiras.

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, sabe jogar bem o jogo dos bastidores do futebol brasileiro / Palmeiras

Essa tática não é nova. Vicente Matheus, histórico presidente do Corinthians, fazia isso com maestria. Telê Santana, gênio do banco de reservas, também sabia como transferir responsabilidade para o apito antes de um jogo-chave. O jogo nos bastidores é parte do jogo em campo.

Vencer no grito

O problema é que funciona. A arbitragem brasileira, além de tecnicamente limitada, é emocionalmente frágil. O barulho antes da partida, a chiadeira ensaiada, o protesto oportuno: tudo isso pesa. E os árbitros, com medo de errar de novo, muitas vezes erram por omissão. O futebol brasileiro continua refém de uma estrutura de arbitragem que não evolui — e de cartolas que seguem preferindo vencer no grito.

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Já passou da hora de a CBF encarar a questão da arbitragem com mais coragem e rigor. Modernizar a tecnologia do VAR, especialmente o software de impedimento, é urgente. Não dá mais para fingir que nada está acontecendo e permitir que, toda semana, alguém seja beneficiado em prejuízo de outrem. Seguindo assim, só o futebol perde.

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