O Palmeiras tem dois caminhos depois da partida e do resultado contra o Cerro Portenho nesta quarta-feira: manter o seu planejamento e continuar na luta para tentar ganhar as três competições do segundo semestre ou repensar o elenco, sentir a derrota e o fracasso, aparar as arestas e focar nos torneios nacionais, que são pesados e importantes para o clube e para os jogadores da mesma forma. O clima vai azedar se perder e a torcida vai tocar fogo no parquinho. Abel vai terminar o ano sem paz. Pode até pedir para sair.

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Mas antes ele terá de admitir que alguma coisa não deu certo no seu planejamento e por cauda de sua teimosinha em alguns momentos da temporada, da sua insistente narrativa de culpar a imprensa por tudo e de passar a mão na cabeça dos jogadores. Abel se sente soberano no cargo que ocupa. Mas ele perdeu prestígio.

Abel Ferreira tem contrato até o fim de 2027, mas ele pode deixar o clube quando quiser sem multa / Palmeiras

Mesmo com a classificação diante do Cerro Portenho (o Palmeiras nunca perdeu para o rival paraguaio na condição de visitante na Libertadores), é preciso realinhar o trabalho na Academia, recomeçar de algum ponto perdido, encher o peito e retomar humildemente de onde parou. Dá para tirar mais desse elenco.

Abel tem de mudar o discurso

Mas a vaga para as quartas de final da Libertadores não pode fazer com que Abel recarregue sua artilharia e o discurso ultrapassado de suas conquistas do passado ou mesmo da narrativa de que ele é o treinador e por isso as decisões são deles e somente dele. Ou comentar do seu orgulho de trabalhar no Palmeiras e de ter Leila Pereira como presidente… blablablá! Tudo isso, o torcedor palmeirense já sabe e já ouviu algumas vezes. Abel, como todos, tem de amadurecer no cargo e entender as dificuldades do Palmeiras. Ele tem de agir no que pode agir.

Ele, diga-se, ainda é um novato à beira do gramado. Para chegar aonde quer chegar, e que vai conseguir um dia, seja lá aonde for, ele precisa também repensar vícios, bravatas e argumentos que fizeram sentido em determinado momento do seu trabalho no Brasil, mas que já não fazem mais. Abel anda para trás nesse momento e corre risco de cair na vala comum dos treinadores depois de anos de carreira.

Leila Pereira tem mandato no Palmeiras até dezembro de 2027: tem mais um ano e meio para gerir o clube / Palmeiras

Quando se está em começo de namoro, é muito mais fácil um agradar ao outro porque tudo é novidade e descobertas. Com o passar dos anos, é preciso ser melhor e crescer no relacionamento para que tudo continue maravilhoso. Abel não é mais “maravilhoso” no Palmeiras, mas ele poderia ser. Tem mais um ano e meio para isso. Leila não é mais “maravilhosa” no Palmeiras, mas também poderia ser. Esse é um sentimento dos torcedores comuns. Há quem diga no clube que a derrocada tem a ver com o fim de mandato. Não acredito nisso. Leila é séria demais para abandonar o trabalho.

Eles saturaram?

O que eles fizeram juntos no futebol tem muito valor. Estão na história do Palmeiras, gostem ou não os torcedores mais críticos (e esse número aumenta cada vez mais). Mas eles “se deixaram” saturar. Há mais um ano e meio da dupla no comando e ambos têm competência e inteligência para fazer desse período uma despedida em grande estilo e não pela porta dos fundos. Abel e Leila podem encerrar o ciclo de forma mais positiva, menos desgastante, e com novas conquistas e dinheiro em caixa. Mas também com respeito.

No caso de uma eliminação para o Cerro, o tempo para arrumar a casa é breve. O clube vai virar um “inferno”. O Flamengo chega com tudo para tirar do Palmeiras a liderança do Brasileirão. Vai ser preciso ter cabeça fria, talvez como nunca antes, e pés nos chão. Porque não se trata mais de um jogo apenas, mas de uma temporada inteira.

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Abel precisa ser melhor. E ele já entendeu isso. Até admitiu. Os jogadores precisam ser melhores. São eles, afinal, que perdem gols e falham em campo. Mas também que ganham jogos e campeonatos. O elenco foi montado pelo treinador como ele bem quis, nem mais nem menos. Mas faltou a ele uma percepção mais apurada do que poderia acontecer. Abel não se deu conta de que poderia estar nessa encruzilhada, ganhando ou perdendo a vaga para o Cerro nesta quarta. Um profissional como ele tem a obrigação de antever situações e se preparar para elas.

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