O Palmeiras conseguiu o que precisava, mas não tudo o que queria. Venceu a LDU por 1 a 0, nesta quarta-feira, no Nubank Parque, e viaja ao Equador com a vantagem do empate para chegar à semifinal da Libertadores. O problema está no tamanho dessa margem. Depois de dominar boa parte da partida, criar oportunidades e deixar o adversário durante longos períodos confortável demais com uma derrota mínima, o time de Abel Ferreira terá de colocar sua classificação em jogo nos 2.850 metros de Quito.
A lembrança de 2025 torna qualquer vantagem curta ainda mais desconfortável. Na semifinal do ano passado, o Palmeiras foi atropelado pela LDU no Estádio Rodrigo Paz Delgado. Perdeu por 3 a 0 — e o placar, pelo que aconteceu no primeiro tempo, poderia ter sido ainda pior. A diferença é que aquela eliminatória reservava mais 90 minutos em São Paulo. O Alviverde transformou o Nubank Parque em cenário de uma de suas grandes noites recentes, fez 4 a 0 e protagonizou uma virada histórica.

Palmeiras precisa ser copeiro
Desta vez, não haverá São Paulo para corrigir um desastre no Equador. Na próxima quarta-feira, às 19h (horário de Brasília), o Palmeiras estará diante do último ato desta eliminatória. Um empate basta. Se perder por um gol de diferença, a vaga será decidida nos pênaltis. Uma derrota por dois ou mais encerra a campanha. É por isso que o 1 a 0, embora seja vantagem, deixa uma sensação incompleta.
O Palmeiras poderia ter levado mais para Quito. Foram 21 finalizações durante a partida, seis delas no alvo, mas apenas um gol. Abel percebeu cedo o tamanho da oportunidade que estava diante de sua equipe. Durante a pausa técnica, cobrou maior eficácia. A LDU se preocupava mais em sobreviver do que propriamente em disputar o controle da partida, especialmente no primeiro tempo. E foi neste cenário que apareceram dois personagens importantes.
Vitor Roque volta a parecer Vitor Roque
O gol começou muito mais em Vitor Roque do que o nome do atacante aparecerá na súmula. Aos 25 minutos, o camisa 9 pressionou Adé, recuperou a bola e não desistiu da jogada. Invadiu a área e finalizou forte. Gonzalo Valle rebateu, e Giay surgiu mergulhando para mandar de cabeça, com auxílio do travessão, para a rede.
A jogada sintetizou a atuação de Vitor Roque. Não houve gol, mas houve intensidade, agressividade e, principalmente, sinais do atacante que o Palmeiras ainda tenta recuperar. Foi sua melhor apresentação desde que retornou da cirurgia realizada em 1º de maio para corrigir uma lesão de ligamentos do tornozelo esquerdo.
Contra a LDU, apareceu uma resposta. Vitor Roque atacou espaços, pressionou a saída adversária e produziu pela característica que o diferencia: jogar em alta rotação. Ainda não foi uma atuação para decretar que o problema acabou. Foi um passo relevante em uma partida de enorme peso.
De criticado a solução ofensiva
Se Vitor Roque deixou a impressão de recuperação, Giay vive a transformação ainda mais evidente. O argentino passou boa parte de sua trajetória no Palmeiras sob questionamentos, pela dificuldade de entregar no campo ofensivo aquilo que se espera de um lateral em um time que normalmente enfrenta adversários fechados. Nas últimas semanas, o cenário começou a mudar. Contra o Santos, no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, Giay deu sua primeira assistência desde a chegada ao clube, no cruzamento que terminou em gol de Flaco López. Agora, contra a LDU, foi além.
Nesta noite, Giay chegou a 98 partidas oficiais e marcou pela primeira vez com a camisa do Palmeiras. E escolheu um duelo decisivo de Libertadores. Mais do que o gol, Giay mostrou presença constante pelo corredor direito e participação defensiva. Aquilo que durante meses foi visto como uma posição capaz de limitar o ataque começa a oferecer a Abel uma alternativa de profundidade. O futebol tem dessas ironias. Um jogador muitas vezes criticado pela baixa produtividade ofensiva foi quem impediu o Palmeiras de chegar zerado à decisão em Quito.
Gómez aumenta o tamanho do problema
O risco da vantagem mínima ganhou outro componente ainda no primeiro tempo. Gustavo Gómez recebeu o terceiro cartão amarelo e está suspenso. O capitão, autor do gol da vitória sobre o Cerro Porteño, no Paraguai, que deu a classificação às quartas de final, não poderá participar da partida decisiva no Equador, onde experiência, liderança e capacidade para suportar momentos de pressão tendem a ser fundamentais. Abel terá Andreas Pereira novamente à disposição depois da suspensão cumprida nesta quarta-feira, mas precisará reorganizar a defesa sem sua principal referência.

E chamou atenção a maneira como o treinador administrou o restante da partida. Mesmo vendo a equipe perder força e precisando aumentar a vantagem, Abel fez somente uma alteração: aos 33 minutos da etapa final, o jovem Heittor entrou no lugar de Vitor Roque. Foi uma escolha incomum para uma partida em que havia tanto a ganhar com um segundo gol.
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O Palmeiras venceu. Não sofreu gol. Saiu na frente da eliminatória. Tudo isso conta. Mas a Libertadores costuma cobrar caro quando um time desperdiça a oportunidade de aumentar uma vantagem dentro de casa. Há menos de um ano, o próprio Palmeiras aprendeu em Quito como três gols podem surgir antes mesmo que uma equipe consiga compreender o que está acontecendo. Naquela ocasião, havia uma volta para buscar o impossível. Agora, Quito é a volta. E não haverá outra partida para consertar o que acontecer lá.





