A quatro minutos do final do tempo normal, vencendo a Bélgica por 2 a 0, os jogadores do Senegal estavam com o burro na sombra, como dizia aquele antigo ditado. Bastaria aos africanos manter a cabeça fria, ter a concentração em alerta e cadenciar o ritmo do jogo, e pronto: o tempo que faltava para ser jogado seria um detalhe, uma mera formalidade, para que os bicampeões africanos voltassem ao mesmo estádio Lumen Field, em Seattle, na próxima segunda-feira, 6 de julho, para disputarem uma das oitavas de final do Mundial de 2026. Só que não.
Por algum desses milagres que fazem o futebol ser um esporte tão imprevisível quanto fascinante, a Bélgica conseguiu dar a volta por cima em um resultado desfavorável que já parecia estar consumado. Além de ditar o ritmo da partida, os senegaleses também tinham aberto uma vantagem considerável no marcador. Aos 25 minutos do primeiro tempo, eles abriram o marcador com uma jogada do craque do time, Sadio Mané, que cruzou para a cabeçada do atacante Ismaila Sarr. Trave! Atento ao rebote, Habib Diarra empurrou para a rede.

Bélgica luta até o final
Melhores em campo, os africanos criavam mais chances para ampliar a sua vantagem, mas seus atacantes desperdiçaram, uma a uma. Até que, aos 6 minutos do segundo tempo, Ibrahim Sarr matou a bola no peito e mandou uma bomba, sem a menor chance de defesa para Courtois. Golaço! Pouco depois, o craque do time, Sadio Mané, ainda teve nos pés uma oportunidade para marcar o terceiro gol senegalês. Mas Courtois esticou-se todo e fez a defesa.
Até que, faltando quatro minutos para o final do tempo normal, a bola sobrou para o lateral-direito Thomas Meunier, que cruzou rasteiro para a área. E, para sorte dele, no caminho da bola, estava um goleador da categoria de Romelu Lukaku. Ele estava no banco e tinha entrado um pouco antes, na base do tudo ou nada, para a Bélgica.
Sentindo o senso de oportunidade, o grandalhão, vestido com a camisa 9, se antecipou, deu o bote e mandou para a rede, de pé direito. A Bélgica estava viva — e tinha chances. Três minutos depois, foi a vez de Trossard cruzar da esquerda. Na meta, Diaw, o goleiro senegalês reserva, saiu mal do gol. E Tielemans, na pequena área, cabeceou para decretar um empate que parecia improvável até então.
Últimos suspiros
E veio a prorrogação. Como renascidos das cinzas, os belgas, pela primeira vez, dominavam o jogo. A três minutos do final, o chute de Lukebakio raspou o travessão. Só que houve mais a se notar neste lance: antes que a bola chegasse aos pés do atacante, as imagens do VAR flagraram uma possível falta do imprudente zagueiro Lamine Câmara, que acertou o tornozelo esquerdo de Youri Tielemans, quase na pequena área. Alertado, o árbitro hondurenho Saíd Martínez foi ao monitor de vídeo conferir — e apontou para a marca da cal. Frio como uma pedra de gelo, o próprio Youri Tielemans cobrou no ângulo superior, do lado direito, sem chances. Mesmo com os acréscimos, os senegaleses já não tinham mais os nervos no lugar para tentar qualquer reação.
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“No futebol, tudo é possível, desde que se acredite — e nós nunca desistimos”, disse o francês Rudi Garcia, o treinador da Bélgica, na entrevista coletiva concedida após o jogo. “Sabíamos que, se marcássemos um gol, voltaríamos para o jogo; felizmente, para nós, o Senegal recuou para proteger o resultado, e nossa chance veio.”
Mais fortes mentalmente, os jogadores da Bélgica seguem para as oitavas de final. Melhores durante a maior parte da partida, os bicampeões africanos agora voltam para casa. Certamente, com muitos arrependimentos na sua bagagem.





