A opção do técnico Roger Machado por poupar três de seus principais jogadores no duelo com o Atlético-MG na noite desta quarta-feira, no Mineirão, custou caro – caro demais – ao São Paulo. É compreensível a decisão de administrar o desgaste físico e até considerar os riscos do gramado sintético para alguns atletas que já demonstraram desconforto em atuar no piso artificial. O problema é que, no futebol, boas intenções não impedem consequências indesejadas. E o plano deu errado.
O São Paulo deixa Belo Horizonte com uma coleção de prejuízos difíceis de ignorar: perde a invencibilidade, abre mão da liderança isolada do Brasileirão e ainda vê Lucas Moura fraturar duas costelas.

O roteiro da noite foi cruel. Poupado no início, Lucas entrou aos 15 minutos do segundo tempo na tentativa de recolocar o time nos trilhos. Ficou em campo por apenas 11 minutos. Em uma jogada involuntária, caiu mal, sofreu uma joelhada na região das costelas e saiu de maca. A imagem resume o tamanho do problema: a tentativa de evitar riscos acabou, ironicamente, produzindo o maior deles.
Roger mexeu mal
E não foi só isso. Até aquele momento, o São Paulo fazia um jogo controlado. Longe de ser brilhante, mas suficientemente organizado para suportar a pressão de um Atlético-MG que jogava com urgência, pressionado pela parte incômoda da tabela. Faltava agressividade, é verdade, mas havia equilíbrio. Foi quando Roger Machado decidiu mexer e recompor a equipe que tinha levado o Tricolor à liderança.

A entrada de Luciano e Lucas, nos lugares de Cauly e André Silva, buscava devolver ao time a força ofensiva que sustentou a sequência invicta. Três minutos depois, no entanto, veio o primeiro castigo. Após cruzamento de Bernard pela direita, a bola atravessou a área, encontrou desvio no segundo pau e sobrou para o zagueiro Iván Román, que, de cabeça, marcou o gol da vitória atleticana. Gol que atravessou também a noite especial de Rafael, que completava seu centésimo jogo com a camisa tricolor e esperava sair de campo sem ser vazado numa data tão importante.
Problemas fora de campo
Como se não bastasse, veio o golpe final: a lesão de Lucas. O atacante foi levado de ambulância para um hospital de Belo Horizonte e exames de imagem detectaram fratura de duas costelas. O risco de perdê-lo para a sequência do campeonato reabre cicatrizes recentes. O São Paulo de hoje encontrou equilíbrio justamente na coexistência de Lucas, Jonathan Calleri e Luciano. É um trio que sustenta não apenas o ataque, mas a identidade competitiva da equipe. Sem um deles, o time perde mais do que uma peça – perde referência.
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E o calendário não perdoa. O primeiro teste para medir o impacto desse cenário será imediato: o clássico com o Palmeiras, um confronto direto que agora vale a liderança do Brasileirão. Com 16 pontos, São Paulo e Palmeiras dividem o topo após sete rodadas. E o Choque-Rei passa a ser ainda mais decisivo, o famoso “jogo de seis pontos”. É um acerto de contas para o Tricolor, já que a única derrota dos últimos dez jogos foi para o rival no mata-mata do Paulistão. O que era uma fase de afirmação agora virou incerteza. E, no fim das contas, a noite em Belo Horizonte deixa uma lição incômoda: no futebol, nem sempre o risco está em jogar demais – às vezes, ele aparece quando se tenta jogar menos.





