A Supercopa da Espanha deixou o país desde 2020. Acontece na Arábia Saudita, a cerca de 8 horas de voo e quilômetros de distância do aeroporto de Barajas, em Madri. A edição deste ano envolve Real Madrid, Barcelona, Athletic de Bilbao e Atlético de Madrid, com jogos sendo realizados no Estádio Rei Abdullah, situado em Jidá. No domingo, dia 11, os 62.345 lugares da principal arena da cidade deverão estar lotados.
Mas qual a razão para essa mudança de local? A resposta é simples: dinheiro, muito dinheiro. Em 2019, o então presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, assinou um acordo multimilionário com a Arábia Saudita. Este contrato estipulava que o país asiático sediaria a Supercopa da Espanha por um período de seis anos, até a temporada 2024/25, em troca de 240 milhões de euros, distribuídos entre a federação, os clubes participantes e diversos intermediários. Parece um conto digno da fábula das mil e uma noites, mas essa história já rendeu um bocado de confusão.

No ano passado, Gerard Piqué, ex-zagueiro do Barcelona, hoje dono da Kosmos, uma agência de eventos, envolvida nas negociações para a mudança da sede da Supercopa da Espanha, foi convocado pela Justiça da Espanha para dar explicações sobre a sua participação nas transações em um tribunal de Madri. Após investigações feitas pela polícia, em maio de 2024, Piqué chegou a ser indiciado por ter cometido supostas irregularidades na transação financeira.
Empresa de Piqué
Pela intermediação entre os dirigentes sauditas e espanhóis, o Kosmos recebe uma comissão estimada em cerca de R$ 24 milhões por ano. Mas, a coisa não parou por aí: sete executivos da federação espanhola chegaram a ser detidos, sob acusação de envolvimento com corrupção pelo mesmo motivo e torneio.
O fato é que, apesar de os clubes e jogadores de futebol se queixarem dos calendários longos e do desgaste com viagens exaustivas, a Federação Espanhola de Futebol não é a única a ter a ideia de organizar jogos no estrangeiro. Neste mesmo mês de janeiro de 2026, o Paris Saint-Germain e o Olympique de Marselha decidiram no Estádio Jaber Al-Ahmad, no Kuwait, o Troféu dos Campeões, que reuniu as melhores equipes da Liga 1 e da Copa da França. O PSG foi campeão na disputa por pênaltis, depois de um empate por 2 a 2 nos 90 minutos.
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Desde 2019, este jogo já foi disputado em países como Canadá, Tunísia, Marrocos, China, Estados Unidos, Canadá, Gabão, Israel, Catar e Áustria. O objetivo segundo os cartolas? A “oportunidade de internacionalizar o futebol francês.” Os torcedores detestam, os jogadores e comissões técnicas reclamam, mas no futebol a quilômetros de distância de suas bases viraram uma bela oportunidade de negócio. E de ganhar dinheiro. Muito dinheiro.





