Por que Abel Ferreira estava irritado e mais calado, quase desanimado, após a vitória do Palmeiras contra o Grêmio por 1 a 0 neste sábado? Foi a terceira vitória seguida do time no Brasileirão depois do Mundial de Clubes da Fifa. Ele deveria estar radiante. Sua perseguição aos dois primeiros colocados Cruzeiro e Flamengo é real. Mas o treinador estava cabisbaixo. Sua raiva após a vitória foi demonstrada no chute irresponsável que deu num dos microfones ‘pompom’ que estava em seu caminho no Allianz Parque.

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Há algumas explicações esportivas para tanta ira, tirando o seu lado exibicionista à beira do campo. Abel reprovou a condição do gramado do estádio a ponto de não ter nem forças para reclamar. “Está ruim. Mas é o que é”, disse. Fez isso num timing completamente errado, justamente quando WTorre e Palmeiras se juntam para negociar uma troca da grama para janeiro.

Abel Ferreira tem dificuldades para arrumar o Palmeiras pós-Mundial e decidir o seu futuro no clube/ Palmeiras

Abel não vai ganhar a briga com a WTorre por um simples motivo: a construtora fez o estádio para o Palmeiras em troca de mandar shows no local. Quanto mais, melhor. Inteligente que é, o técnico já deveria ter entendido isso.

Novo ataque contra a WTorre e o gramado

Leila Pereira poderia comprar o estádio e acabar com esse problema. De pedras e tijolos, a arena vale R$ 450 milhões. Mas há outros valores nessa conta que talvez sejam imensuráveis. E o contrato de parceria vai até 2044. Esse assunto já esteve mais quente, o de uma possível compra da arena pelo clube, uma antecipação do tempo de entrega. Não está descartado.

Ocorre que a WTorre não quer vender um negócio que lhe dá prestígio e dinheiro. Abel deveria saber de tudo isso. Palmeiras e WTorre se acertaram recentemente com os repasses financeiros que não estavam sendo feitos, mas que agora estão. O Palmeiras de Abel quer ganhar dos dois lados. Isso não vai acontecer. O Palmeiras sabe disso.

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Um segundo motivo para a irritação de Abel é a forma como o time jogou, tocando demasiadamente a bola de lado e sem aquela pressão intensa que ele gosta que o Palmeiras imprima diante de seus adversários. O treinador chegou a comentar sobre isso em sua entrevista. Abel viu o time sem objetividade. Não é o seu estilo. Com a bola, mas sem agressividade, sem tentar furar as linhas de defesa do inimigo, por dentro ou por fora. Toquinho de lado não interessa ao treinador. Ou seja: o trabalho da semana foi perdido diante do Grêmio.

Cruzada contra o calendário

Sua cruzada contra o calendário é digna e necessária, e deve continuar, mas não serão suas palavras a modificar isso. Ele deveria falar mais com a presidente do clube sobre esse assunto. Somente os dirigentes, juntamente com a CBF, podem mudar esse cenário. Aos poucos, de forma lenta, mas gradual até encontrar um equilíbrio.

Abel teve motivos para baixar a guarda após ganhar do Grêmio. Seu trabalho anda em círculos. Mas ele não pode fazer isso. Há ainda a perda de um companheiro, Mayke, que vai para o Santos. Por fim, penso que ele não sabe o que decidir sobre sua carreira, embora tenha dito que está tudo certo e ama o Palmeiras como nunca amou outro clube.

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