A chegada de Fernando Diniz ao Corinthians ainda é recente, mas seus primeiros efeitos já começam a aparecer — e talvez o mais evidente deles seja o ressurgimento de Rodrigo Garro como protagonista de um time que não tem muitas alternativas ofensivas.

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O meia argentino vinha atravessando um momento de queda de rendimento nos últimos meses do trabalho de Dorival Júnior. Deslocado, por vezes mal encaixado no sistema, Garro parecia distante do nível que o transformou em peça-chave do time. Por isso, é sintomático que tenha sido justamente um dos destaques na vitória por 2 a 0 sobre o Platense, na estreia de Diniz. Não por acaso.

Diniz entregou a Garro a faixa de capitão como plano para resgatar a confiança do meia argentino / Corinthians

Em sua primeira entrevista coletiva no clube, Fernando Diniz deixou claro que via em Garro um jogador acima da média e que esperava ajudá-lo a recuperar o futebol de excelência. E, com pouco tempo para trabalhar aspectos táticos e físicos, o treinador foi direto ao ponto: atacou a questão mental.

Garro virou capitão

O trabalho foi evidente. Diniz tratou de fortalecer a confiança do jogador com gestos claros. E o principal deles foi simbólico: entregou a Garro a faixa de capitão logo na partida em Buenos Aires. Mais do que uma decisão circunstancial, foi um recado direto sobre protagonismo e confiança.

Estratégia para resgatar a confiança

Esse tipo de movimento não é trivial. Há jogadores que respondem diretamente ao estímulo — e Garro parece ser um deles. O argentino já havia demonstrado, no passado, certo incômodo ao perder a camisa 10 para Memphis Depay. Pode parecer detalhe, mas não é. O futebol é feito também de símbolos, e quando eles são contrariados, o impacto aparece no rendimento, ainda que de forma silenciosa. Com a braçadeira de capitão, Garro voltou a se sentir valorizado — não apenas cobrado. E isso se refletiu imediatamente em campo.

Fernando Diniz fez alguns ajustes no elenco e conseguiu um bom resultado contra a Platense fora de casa / Corinthians

Dentro da proposta de jogo montada para enfrentar o Platense, Diniz priorizou a solidez defensiva para interromper a sequência de nove derrotas. Nesse contexto, deu a Garro a função de ser o elo entre a defesa e o ataque, conectando o time com Yuri Alberto e Kaike.

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Mesmo com responsabilidades táticas maiores, o meia voltou a ser decisivo na criação. Nas poucas vezes em que teve liberdade para executar esse papel, mostrou exatamente o que se espera dele: deixou Yuri Alberto duas vezes em condição clara de gol — na primeira delas, o atacante finalizou fraco e permitiu a defesa do goleiro — e construiu, com um passe preciso, a jogada do gol de Kaike. Era o Garro que o Corinthians precisava reencontrar.

A atuação também ajuda a explicar um problema recorrente da equipe no período anterior. Dorival não conseguiu encontrar uma forma eficiente de encaixar Garro e Bidon na mesma zona do campo. Em muitos momentos, ou sacrificava a criatividade de Garro ou afastava Bidon do centro do jogo, empurrando-o para a extrema direita, exercendo funções que não potencializam suas características de articulador. Muitas vezes Bidon foi quase um ponta direita mais preocupado em conter o avanço do lateral esquerdo adversário. E um time que afasta seus jogadores mais criativos do coração do meio-campo naturalmente perde capacidade de decisão.

Uma peça importante na engrenagem

Por isso, recuperar Garro não é apenas resgatar um jogador em má fase — é reorganizar a engrenagem ofensiva da equipe. Até porque, sempre que esteve em campo ao lado de Yuri Alberto e Memphis Depay, o Corinthians mostrou ser um time mais agressivo e perigoso.

Ainda é cedo para avaliar o impacto completo do trabalho de Diniz. Sua ideia de jogo — mais apoiada, com posse de bola e menos afobação — ainda demandará tempo para ser assimilada. Mas, nesse início, sua principal intervenção foi precisa: mexer na confiança para destravar o desempenho. A Fiel agradece. Se esse for o primeiro sinal da nova fase, o Corinthians pode, enfim, estar reencontrando o caminho que o levou a três títulos improváveis em menos de um ano.

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