O debate criado pelo presidente do Flamengo, Luís Eduardo Baptista, sobre a tributação das Sociedades Anônimas de Futebol x clubes associativos caiu no lugar comum das disputas clubísticas. Leila Pereira, presidente do Palmeiras, disse ser a favor da tributação menor para as SAFs, o que vai de encontro ao desejo do Estado brasileiro. A lei das SAFs nasceu justamente da percepção de que os clubes sonegaram impostos por décadas.
A tentativa é revigorar uma indústria que fica muito abaixo de seu potencial, a do futebol.
Leila falou basicamente isto, ao afirmar que as SAFs devem ter menos tributação. Foi rebatida por legiões de caolhos a serviço da teoria de Bap. Ainda que o presidente do Flamengo tenha razão em um ponto: o esporte olímpico. Se o Flamengo é uma potência olímpica, que só investe menos do que o Esporte Clube Pinheiros e o Minas Tênis Clube, ele deve ter isenção fiscal no esporte olímpico. Não o clube inteiro, que tem sede numa das áreas mais nobres do Rio de Janeiro, no Leblon, e arrecada mais de R$ 2 bilhões.

Sim, é verdade que o esporte olímpico precisa de isenção fiscal. Então, a necessidade é debater corretamente entre SAF x Clube Associativo, mas não no futebol. A lógica é separar os esportes olímpicos e criar tributação específica para isto. Acontece que se levou à Câmara Federal uma tentativa de mudança específica para os clubes no caso da reforma tributária.
Opção do governo pela SAF
A Câmara aprovou a redução de alíquota, mas o caso será, provavelmente, vetado no Senado e, se persistir, terá veto presidencial por inconstitucionalidade. Por estar na reforma tributária, não é caso de Projeto de Lei (PL), mas de Proposta de Mudança Constitucional (PEC). A vitória de Pirro da tese de Bap visa muito mais a derrubar a importância das SAFs e ter vantagem tributária.

Por que o Estado Brasileiro optou pelas SAFs e lhe deu vantagem tributária? Para se inspirar no modelo espanhol, que transformou a indústria do futebol, diminuiu a sonegação fiscal, passou a arrecadar muito mais, com mais capacidade de investimento dos clubes e mais visibilidade mundial do futebol do país. Lá, criou-se as SADs (Sociedad Anónima Deportiva). Depois da lei, o futebol espanhol explodiu e, ainda que Real Madrid e Barcelona não tenham a necessidade de se colocarem dentro dessa legislação, a indústria se transformou.
Camp Nou e Bernabéu
Por rodada, Camp Nou e Santiago Bernabéu, clubes que não têm obrigação de se tornar SADs, recebem 20% de turistas em sua plateia. É o Maracanã em dia de semifinal da Libertadores, com 20% do público vindo de fora do Rio de Janeiro. Não é só pelo futebol, está claro. Também é turismo. Mas a junção das duas indústrias faz explodir as receitas e, consequentemente, os ganhos com impostos pagos ao governo espanhol.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
No Brasil, os casos ruins de SAFs, como de Botafogo e Vasco, são resolvidos na esfera judicial. Os clubes associativos, como o Corinthians, de Augusto Melo, e o São Paulo, de Julio Casares, foram para a esfera policial. Não há de se discutir a legislação da SAF do ponto de vista da vantagem tributária de um clube, ou de clubes associativos que passaram décadas sem pagar impostos. O debate é muito mais amplo. Foi o Estado brasileiro que optou por dar vantagens tributárias à SAF para tentar dinamizar a indústria do futebol. Há falhas a serem corrigidas. No caso do esporte olímpico, a separação é a única razão de algum clube pagar menos imposto.





