Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não entende bulhufas de futebol e anda mais ocupado em patrocinar mais uma guerra no Oriente Médio, reconhece que o Palmeiras é um dos melhores times do mundo na atualidade. Disse isso na cara do craque Lionel Messi, em recente visita do argentino à Casa Branca. Talvez o comentário tenha sido apenas um gesto de cortesia diplomática, mas ajuda a ilustrar o tamanho do favoritismo do Palmeiras para a decisão do Campeonato Paulista de 2026.

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A última batalha pelo título está marcada para a noite deste domingo, diante do Grêmio Novorizontino, no Estádio Dr. Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte. E, convenhamos, o favoritismo palmeirense não nasce da improvável análise futebolística de Trump, mas dá consistência competitiva construída nos últimos anos sob o comando de Abel Ferreira. Seis finais em seis temporadas seguidas ajudam a explicar a força de um clube que, há algum tempo, parece flutuar um degrau acima da prateleira média do mercado da bola nacional.

Abel prepara o Palmeiras para a final do Paulistão contra o Novorizontino neste domingo, às 20h30 / Palmeiras

Além disso, o Palmeiras chega à decisão com vantagem significativa. Venceu o primeiro jogo por 1 a 0 e precisa apenas de um empate para levantar a taça.

Temporadas ruins para o Palmeiras

Ainda assim, por mais títulos que tenha acumulado na era Abel, esta final tem um peso particular para o clube, mesmo levando em conta que o Campeonato Estadual está no fim da escala de prioridades do clube. Isso porque as duas últimas temporadas foram marcadas por uma incômoda sequência de frustrações.

A última faixa de campeão que os jogadores do Palmeiras colocaram no peito foi justamente a do Paulistão de 2024, quando derrotou o Santos na decisão. Ano passado, a frustração foi mais pungente porque a perda do título se deu numa final contra o arqui-inimigo Corinthians. Desde então, o clube ficou no quase em quatro oportunidades: vice-campeão brasileiro em 2024 e 2025, vice do Paulista em 2025 e também vice da Libertadores na mesma temporada. Um roteiro de competitividade permanente, mas que deixou a sensação amarga de que o time bateu três vezes na trave quando a consagração parecia ao alcance.

Abstinência de títulos, diz Leila

Não por acaso, a presidente Leila Pereira resumiu recentemente o sentimento que ronda o clube. “Já estou com abstinência de títulos”, disse em entrevista à TNT Sports. O Paulistão, portanto, surge como a primeira oportunidade de transformar a frustração acumulada em alívio — e recolocar o Palmeiras no trilho das conquistas logo na abertura de 2026. De modo que ninguém mais ousaria lembrar que na fase das vacas gordas alguns palmeirenses chegaram a desdenhar do campeonato regional, chamando-o de Paulistinha.

Final do Paulistão de 2026 vai ser na cidade de Novo Horizonte: clube disputou a decisão estadual em 1990 / Novorizontino

Curiosamente, do outro lado do campo a motivação nasce de um sentimento parecido. Embora tenha disputado apenas uma final de Paulistão em sua história — a célebre “final caipira” de 1990 contra o Bragantino —, o Novorizontino também convive com a sensação recente de que esteve muito perto de alcançar voos ainda maiores e saiu deles com indisfarçável frustração.

Nos últimos três anos, o clube do interior construiu campanhas consistentes no Campeonato Brasileiro Série B. Em duas delas terminou na quinta colocação, lamentando o detalhe cruel de que apenas quatro equipes conquistam o acesso à elite do futebol nacional. Bater na porta da Série A e não conseguir entrar deixou marcas — e também alimentou a ambição de transformar o bom trabalho esportivo em algo histórico.

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Por isso, a decisão deste domingo carrega um simbolismo curioso. De um lado, um gigante acostumado a disputar títulos, mas que quer encerrar uma inesperada abstinência. Do outro, um projeto sólido de SAF que tenta transformar regularidade em consagração. Se o favoritismo do Palmeiras é evidente, o mérito de ambos os finalistas também é. E talvez seja justamente essa combinação que torne a final tão interessante: um título capaz de curar frustrações recentes de dois clubes que, cada um à sua maneira, chegaram até aqui porque aprenderam a competir. Trump apostaria no Palmeiras. E você?

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