Clássico normalmente é jogo travado, nervoso, tenso. Mas o que se viu na noite deste sábado no Morumbis foi a negação absoluta deste senso comum do futebol. Como poucas vezes se viu, o São Paulo foi soberano diante de um Corinthians apático, abatido, incapaz. O São Paulo não apenas venceu: dominou, atropelou, engoliu o adversário em todos os aspectos do jogo. O 2 a 0 construído ainda no primeiro tempo, com dois gols relâmpago de Luciano, parece até pouco diante da diferença técnica, tática e, principalmente, emocional entre os dois times.
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O desfecho do clássico valida o roteiro do que foi o duelo. O São Paulo entrou em campo como se a partida fosse uma final de campeonato. O Corinthians achou que lhe bastava jogar para não perder. Mas diante dessa postura covarde, nem marcou nem atacou. Simplesmente foi um figurante no baile comandado por Luciano, Marcos Antônio, Ferraresi e pelo técnico Crespo, que, enfim, conseguiu sua primeira vitória nesta segunda passagem pelo clube.

A atuação tricolor foi marcada por uma intensidade rara. Muita marcação, disposição, encaixe coletivo e vontade de vencer. Nem mesmo a lesão precoce de Oscar, com 15 minutos de jogo, foi capaz de alterar a postura de um time que se recusou a ser incomodado. Alisson, que entrou em seu lugar, manteve o nível de organização e entrega. O São Paulo parecia jogar com mais gente, ocupando todos os espaços do campo, vencendo duelos, antecipando passes, agredindo com os alas Cédric e Wendell, empurrando o adversário para trás.
Luciano acabou com o jogo
E quando Luciano marcou duas vezes em três minutos, o jogo praticamente terminou ali. O segundo tempo foi apenas a confirmação de um abismo que se abriu desde o apito inicial.
Do outro lado, o Corinthians apresentou um dos desempenhos mais constrangedores do campeonato. Assustadora a apatia coletiva. Nem mesmo o peso do clássico foi capaz de despertar um mínimo de reação. A equipe de Dorival Júnior entrou em campo para jogar por uma bola, como fez com o Ceará, mas o plano fracassou.
Memphis fica no vestiário
Algumas escolhas erradas de Dorival ajudaram a afundar o barco corintiano. A invenção de Feliz Torres na lateral-direita custou caro. O meio-campo foi atropelado. E o ataque, com Memphis Depay e Romero, praticamente inexistiu. Depay, aliás, foi um dos personagens mais simbólicos da noite: completamente anulado por Ferraresi, o holandês teve um primeiro tempo irrelevante e não voltou sequer para o segundo. Substituído por Gui Negão, deixou no ar a impressão de ruptura, de fim de ciclo. Se não tanto, de um claro indicativo de crise interna.
A sensação é de que o Corinthians chegou ao seu limite. Não técnico — porque há jogadores talentosos —, mas mental. A imagem de Rodrigo Garro tentando buscar a bola na defesa e correr cinquenta metros com ela sem ter a quem tocar foi talvez o retrato mais melancólico da noite. Um time entregue, sem conexões, sem plano, sem alma. Dorival fez três trocas no intervalo, mas nem pareceu. Mudou nomes, mas não mudou nada. Mexeu na escalação, mas não tocou na essência.
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O São Paulo, que não vencia havia cinco jogos e estava se aproximando perigosamente da zona de rebaixamento, reencontrou um mínimo de paz ao jogar o que sabe, ao competir como manda o tamanho do jogo. O Morumbis voltou a ser seu, a torcida foi ao delírio com Luciano, e o clássico foi o palco ideal para afirmar uma ideia de jogo que parecia esvaziada.
Crise em campo agora
Já o Corinthians sai menor do que entrou. E talvez com uma decisão a ser tomada sobre seu camisa 10. Porque perder um clássico acontece. Mas perder desse jeito, sem disputar, sem lutar, sem esboçar reação, é inadmissível.





