Em um futebol cada vez mais dominado por cifras obscenas, intermediários vorazes e negociações que pouco ou nada dialogam com valores formativos, um gesto simples — e justamente por isso poderoso — deveria ter parado o noticiário. Mas passou quase despercebido. Souza, lateral-esquerdo revelado pelo Santos, fez o que poucos fariam: abriu mão de uma parte considerável do dinheiro a que tinha direito para devolver ao clube que o formou como atleta e como homem.

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Vendido ao Tottenham por 15 milhões de euros, Souza protagonizou uma transferência que poderia ter sido apenas mais uma entre tantas. Mas não foi. O menino renunciou aos 25% dos direitos que lhe cabiam na negociação, algo superior a R$ 20 milhões, com uma condição clara: que o Santos destinasse esse valor ao investimento nas categorias de base. A base de onde ele próprio saiu e a que hoje abriga garotos que sonham repetir o caminho que ele acaba de trilhar.

Souza é vendido ao Tottenham por 15 milhões de euros e abre mão de parte dos direitos para a base do Santos / Santos

Não se trata de romantizar o futebol nem de fingir que o jogo deixou de ser um negócio. Ele é. E será cada vez mais. Mas justamente por isso, atitudes como a de Souza ganham um peso simbólico enorme. Em um ambiente marcado pelo mercantilismo absoluto, pela lógica do “quanto mais, melhor”, pelo acúmulo de fortunas pessoais e pelo desfile de benesses que acompanham contratos milionários, houve espaço para um gesto de desprendimento material raro. Raríssimo.

Ele está no Santos desde os 11 anos

Souza não fez isso por dinheiro — até porque na Europa, jogando o maior campeonato do mundo, seu horizonte financeiro tende a crescer de forma exponencial. Também não fez por aplauso fácil. Fez por gratidão. E por consciência. Consciência de que projetos formadores não sobrevivem de discursos, mas de investimento contínuo, seriedade e compromisso com quem está começando no difícil desafio de ser jogador profissional de futebol.

Natural de Mauá, no Santos desde o sub-11, Souza construiu toda a sua formação dentro do arcabouço dos Meninos da Vila. Passou pelo futsal, amadureceu no campo, ganhou espaço no profissional, se consolidou até atrair atenção dos gigantes europeus. E assim, aos 18 anos, escolheu sair deixando algo que não aparece em estatísticas: um exemplo.

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Tomara que seja premiado na Europa. Que faça carreira, construa fama e colha os frutos esportivos e financeiros que o talento lhe permitir. Mas, independentemente do que venha a acontecer com sua trajetória, Souza já deixou algo maior em sua carreira: deixou um gesto que deveria ser lembrado como uma verdadeira demonstração de amor a uma camisa. Ele ainda é um garoto. Mas teve a atitude de um homem de virtudes raras no futebol. Por isso, merece aplausos. Muitos. Parabéns, garoto!

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