Com duas vitórias seguidas em jogos no Morumbis, o ambiente no São Paulo é outro. Primeiro veio a vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, que interrompeu um jejum de 126 dias no Brasileiro. Neste sábado, o Tricolor repetiu a dose e contra um adversário mais perigoso: derrotou o Atlético-MG por 2 a 0, derrubou uma invencibilidade de 14 partidas do Galo em todas as competições e, com o controle das ações, apresentou argumentos para acreditar que não se trata apenas de uma pequena reação de resultados.

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Pode ser cedo para dizer que todos os problemas ficaram para trás. Mas já existe algo diferente surgindo no Morumbis. Há duas semanas, falar em confiança no São Paulo parecia quase um exercício de imaginação. O time acumulava dez partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro, convivia com a pressão crescente da torcida e começava a olhar para a zona de rebaixamento com uma preocupação que já não podia ser tratada como exagero.

São Paulo Luciano
Com oportunismo na pequena área, Luciano comprova faro de artilheiro e abre o marcador no Morumbis / São Paulo FC

São Paulo transpira segurança

Contra um Atlético-MG que chegava embalado e classificado para a semifinal da Copa do Brasil, o São Paulo não precisou jogar como uma equipe desesperada por pontos. Foi organizado, paciente e, durante boa parte da partida, superior. Ainda no primeiro tempo, Gustavo Santana chegou a balançar as redes depois de cruzamento de Lucas Ramon, mas o lance acabou anulado por impedimento do lateral após intervenção do sistema semiautomático. A decisão sobre a irregularidade estava correta, embora o gráfico apresentado tenha identificado equivocadamente o jogador envolvido.

Na etapa final, bastaram dois minutos para transformar o controle em vantagem. Aos 17 minutos, Luciano abriu o placar. Aos 19 minutos, Iago Borduchi fez o segundo e resolveu uma partida na qual o Atlético-MG havia encontrado enorme dificuldade para ameaçar o gol tricolor.

Era também a confirmação de uma escolha de Dorival Júnior, que teve duas semanas livres para poder trabalhar o corpo e a mente dos seus atletas. O treinador manteve a estrutura utilizada diante do Bragantino, com três zagueiros, dois volantes e maior liberdade para os alas. Gustavo Santana voltou a participar do setor ofensivo ao lado de Luciano e Artur. Contra o Atlético, o modelo funcionou como planejado. Mais importante do que descobrir uma formação definitiva é perceber que o treinador começa a encontrar referências em um time que passou meses sem saber exatamente no que poderia confiar.

De olhar para baixo a respirar

As duas vitórias consecutivas talvez tenham um peso ainda maior quando colocadas na perspectiva do campeonato. Depois da derrota para a lanterna Chapecoense, o São Paulo havia mergulhado novamente no ambiente de desconfiança. O triunfo sobre o Bragantino encerrou uma série de quatro empates e seis derrotas no Brasileiro e levou o time aos 30 pontos. Agora são 33 pontos, provisoriamente na décima colocação. O Tricolor abriu oito pontos para o Mirassol, primeiro integrante da zona de rebaixamento antes dos jogos deste domingo.

Não significa que a luta esteja encerrada. Significa que ela começa a mudar de tamanho. Somar seis pontos em casa permite ao São Paulo voltar a trabalhar sem a sensação de que qualquer tropeço pode transformar o campeonato em uma emergência. Quanto mais cedo construir uma margem segura em relação ao Z4, mais poderá deslocar energia, jogadores e atenção para aquela que se transformou em sua grande possibilidade de fazer de 2026 um ano relevante.

Iago e Luciano na selfie dos dois autores dos gols na vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG
Iago e Luciano na selfie dos dois autores dos gols na vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG no Morumbis / São Paulo FC

Pronto para La Bombonera

Pelo que vem pela frente, o triunfo sobre o Atlético-MG representa mais do que subir algumas posições na tabela. Na terça-feira, o São Paulo estará na Bombonera para enfrentar o Boca Juniors, às 21h30 (horário de Brasília), no primeiro jogo das quartas de final da Sul-Americana. A volta será no próximo dia 15, no Morumbis. Antes, outra pedreira: O Tricolor encara, no próximo sábado, o Palmeiras, no Nubank Parque.

Pouco tempo atrás, a equipe entraria nessa eliminatória carregando uma crise doméstica nas costas. Agora chega depois de duas vitórias consecutivas, cinco gols marcados, apenas um sofrido e com uma estrutura de jogo que começa a oferecer respostas a Dorival.

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A diferença é enorme. O São Paulo ainda não virou um time pronto, tampouco deixou para trás os riscos de uma temporada cheia de turbulências. Mas conseguiu algo fundamental antes de uma das semanas mais importantes do ano: voltou a acreditar no próprio futebol. Contra o Bragantino, encontrou alívio. Diante do Atlético-MG, encontrou a confirmação. Agora, no duelo com o Boca Juniors, descobrirá até onde esse novo São Paulo pode chegar.

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