Na madrugada deste domingo, horas antes da partida contra o Ceará no Allianz, ‘torcedores’ do Palmeiras protagonizaram um dos episódios mais deploráveis que o futebol brasileiro pode registrar: ataques ao patrimônio do próprio clube. E, ainda mais grave, ameaças à integridade física de jogadores, comissão técnica e funcionários. É inaceitável — e não há mais espaço para relativizações — que o ambiente de trabalho de qualquer profissional seja transformado em um cenário de intimidação e risco.

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A liberdade de manifestação da torcida, diante de resultados ruins ou eliminações dolorosas, só pode existir até o limite da racionalidade. Daí para frente, quando se parte para agressões, depredações e ameaças, entramos no campo do crime. E crime deve ser tratado com a máxima seriedade, como o próprio clube expressou em nota oficial, ao exigir que as autoridades investiguem, identifiquem e punam com o rigor da lei os responsáveis. O modus operandi empregado — com ações coordenadas, destruição e intimidação — remete a atos que ultrapassam o mero protesto e se aproximam de práticas terroristas.

Pessoas encapuzadas atacam a Academia do Palmeiras na Barra Funda com fogos de artifícios e rojões / Reprodução

O The Football expressa total solidariedade aos funcionários e atletas atacados e repudia qualquer forma de violência. O futebol é, por essência, um espaço de socialização, de encontro, e não pode ser sequestrado pela cultura da barbárie e da morte.

Culpa da imprensa?

Lamenta-se, porém, que a nota do Palmeiras tenha desperdiçado parte de seu espaço transferindo parcela da culpa à imprensa, acusando-a de amplificar mensagens de ódio. Historicamente, o jornalismo esportivo tem sido um dos principais agentes de alerta contra a violência nos estádios e defensor da necessidade de afastar do futebol esse estigma de guerra.

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Portanto, o erro de avaliação do clube é evidente. Se há responsabilidade a ser apontada fora dos muros da arena, ela recai sobre setores ligados ao próprio Palmeiras, que, ao longo da semana, insuflaram um clima beligerante para o clássico com o Corinthians.

Felipe Melo no Allianz

De modo que não foi a imprensa que estimulou a entrada do ex-jogador Felipe Melo ao gramado antes da partida, em ato conduzido pelo locutor oficial do estádio, para expressar um sentimento de “vingança” e pedir “poucas ideias” diante do rival. Essa retórica, repetida e romantizada, alimenta a tensão e a violência, que depois transbordam em episódios como o que vimos.

Felipe Melo esteve no Allianz antes da partida do Palmeiras contra o Corinthians para inflamar a torcida / Robson Morelli

O Palmeiras foi vítima de um ato de violência covarde e intolerável. Mas é preciso compreender que o combate a esse problema começa dentro de casa, cortando pela raiz qualquer discurso que transforme o futebol em guerra. No dia em que a paixão pela camisa se sobrepuser à dignidade humana e à civilidade, teremos perdido muito mais que um jogo.

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