Pegue um centroavante que perde um pênalti e, no lance seguinte, faz um gol. Some a ele um atacante predestinado, que carrega o gol no nome e costuma aparecer justamente quando o jogo pede alguém assim. Acrescente um terceiro personagem — o árbitro — com o poder de mudar o rumo de uma partida com suas decisões e interpretações das regras do futebol.

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Isso tudo misturado e a receita está pronta para resumir o que foi o clássico entre Santos e Corinthians, na noite desta quinta-feira, na Vila Belmiro, pela quarta rodada do Paulistão. O empate em 1 a 1 até pode ser considerado justo pelo que os dois times produziram e, ao final, acabou sendo, sobretudo, o reflexo de uma partida marcada por muitos altos e baixos — de ritmo, de domínio e de controle emocional.

Gabigol marcou o gol de empate do clássico alvinegro nos acréscimos da partida na Vila Belmiro / Ag. Paulistão

Protagonismo de Yuri Alberto

O Corinthians foi claramente superior no primeiro tempo. Com um plano de jogo muito bem desenhado por Dorival Júnior, o time alvinegro tomou conta do meio-campo, povoado por Raniele, Bidon, Carrillo, André e Mateus Pereira. A estratégia tirou espaços do Santos, impediu que o rival ditasse o ritmo e permitiu ao Corinthians controlar a partida com posse qualificada e transições rápidas pelos lados do campo.

Nesse contexto, Yuri Alberto foi protagonista absoluto. Primeiro, desperdiçou um pênalti. Um minuto depois, tratou de se redimir. Caindo pelo lado direito do ataque, em uma função diferente, construiu as principais jogadas ofensivas do Corinthians e abriu o placar, coroando um primeiro tempo muito consistente. O Corinthians poderia — e talvez devesse — ter ido para o intervalo com vantagem mais confortável. Não foi por falta de jogo, mas por falhas nas finalizações.

Empate e arbitragem em evidência

Na segunda etapa, o cenário mudou. O Corinthians passou a administrar a vantagem, tentando não deixar o jogo andar. O Santos, sem ser brilhante, teve o mérito de jamais se entregar. Persistiu, empurrou o adversário para trás e sobreviveu tempo suficiente para ser premiado no último suspiro.

Yuri Alberto perdeu pênalti contra o Santos, mas logo em seguida marcou o gol do Corinthians na Vila / FPF

Aos 48 minutos, o roteiro ganhou seu terceiro personagem. Em uma jogada de contra-ataque, com a defesa corintiana desarrumada, Gustavo Henrique desarmou Lautaro de forma limpa. O árbitro Lucas Canetto Bellotte, distante do lance, entendeu diferente e marcou falta quase na risca da grande área. Uma falta que, a bem da verdade, não existiu.

Gabigol assumiu a cobrança com raiva. A bola passou pela barreira, Hugo falhou na tentativa de defesa, e o empate estava decretado. Ao final, sobraram reclamações do lado corintiano — não apenas pelo lance capital da falta, mas também pelo festival de cartões amarelos distribuídos no segundo tempo. O árbitro não deixou o jogo fluir, interrompeu a partida a todo instante e acabou se tornando protagonista em um clássico que já tinha emoção suficiente por si só.

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O jogo não foi um primor técnico, longe disso. Mas também não ficou devendo em emoção. O Corinthians saiu com a sensação de que deixou escapar uma vitória construída nos primeiros 45 minutos. O Santos, com a impressão de que acreditou até o fim — e foi recompensado. No fim das contas, o empate traduz bem um clássico desequilibrado dentro de si mesmo, mas equilibrado no placar. Um jogo decidido por personagens, por detalhes e por decisões que, certas ou não, acabam ficando marcadas muito além do apito final.

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