A entrevista coletiva concedida na tarde da sexta-feira por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, pode ser facilmente anexada ao festival de particularidades que tem marcado a crise institucional vivida pelo clube fora de campo. Em vez de se apresentar como mediador ou figura conciliadora, como exige o cargo que ocupa, Tuma preferiu alimentar ainda mais o ambiente de vaidades, disputas e desmandos que corroem o Corinthians por dentro.
Até mesmo contra a Gaviões da Fiel ele se insurgiu — algo raríssimo na história política recente do clube. Em um dos momentos mais explosivos da coletiva, cobrou do presidente da torcida, Alê, a mesma postura crítica que hoje tem contra Augusto Melo, mas que teria faltado durante a gestão de Andrés Sanchez. Deu a entender que a antiga diretoria contava com uma certa complacência da organizada em troca de benefícios, especialmente na cessão de ingressos para jogos dentro e fora da Neo Química Arena.

A resposta de Alê veio rápida e no mesmo tom elevado, mostrando que o clima esquentou de vez. O presidente da Gaviões não gostou nem um pouco das declarações de Tuma e reagiu com firmeza, aumentando ainda mais a tensão entre diretoria, torcida e conselheiros.
‘Não quero fechar o caixão’
Outro ponto polêmico da fala de Tuma foi a declaração de que pretende conduzir o processo de transição eleitoral de forma célere, caso o Conselho aprove o impeachment de Augusto Melo no próximo dia 9 de agosto. “Eu não quero fechar o caixão. O Corinthians precisa virar essa página urgentemente”, afirmou. É difícil discordar da urgência. Mas o tom — novamente — não ajudou em nada.
Na tentativa de ilustrar seu desejo por um Corinthians mais moderno e profissional, Tuma usou uma metáfora infeliz: disse que “águia voa com águia” e que o Corinthians precisa ser o Flamengo. Para boa parte da torcida, a comparação não caiu bem. Não porque o Flamengo não seja um clube respeitável, mas porque o Corinthians tem história, marca e uma das maiores torcidas do país — e não deve se espelhar em ninguém para reencontrar seu caminho. O que falta ao clube hoje não é um modelo externo, e sim ordem interna.

Cabe a Tuma, como presidente do Conselho, definir a data da nova eleição caso o impeachment avance. Segundo ele, será o mais breve possível. A frase do “não quero fechar o caixão” pode ter sido carregada de dramatismo, mas retrata bem o sentimento do torcedor: ninguém aguenta mais.
“Salvem o Corinthians”
A crise política já extrapolou os bastidores e atinge diretamente o campo. Os jogadores até tentam negar, mas o reflexo está no desempenho do time, na instabilidade técnica, na falta de confiança. Está na arquibancada esvaziada, na apatia dos que sempre estiveram ao lado do clube. Talvez seja hora de ouvir o hino do Corinthians com mais atenção e lembrar que o sofrimento não é eterno. Mas, para virar essa página, é preciso coragem, responsabilidade e grandeza — virtudes que têm andado em falta no Parque São Jorge.
Salvem o Corinthians!





