Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC
Uma das questões mais repetidas como explicação para a suposta acomodação dos treinadores brasileiros era o rodízio entre clubes. Joel Santana saía do Flamengo para o Fluminense, dali para o Vasco, depois Botafogo. Celso Roth variava do Inter para o Grêmio, depois Botafogo, Vasco e Flamengo. Até mesmo Vanderlei Luxemburgo, no ápice, trocava de clubes entre os grandes paulistas, e só não dirigiu o São Paulo.
Preste atenção ao que está se passando com os treinadores estrangeiros do Brasil. Mais do que na Europa, porque lá se troca menos de técnico do que de roupa íntima. Aqui, mais. Jorge Sampaoli é o novo técnico – ops, o mais recente – do Atlético Mineiro. É sua quarta passagem por clubes brasileiros em seis anos. Foi do Santos para o Galo, para o Flamengo, de volta a Belo Horizonte.

Antônio Oliveira foi do Athletico Paranaense, Coritiba, Corinthians, Cuiabá e Remo. Agora é Luis Zubeldía. Saiu do São Paulo, negociou com o Internacional, seu empresário anunciou interesse da seleção colombiana, o Inter não confirma negociação, mas… a tendência é ir mesmo para o Beira-Rio.
Teoria e prática na CBF Academy
A pergunta não é se falta qualidade aos treinadores nascidos no Brasil. Não falta. Pode faltar teoria, missão para a CBF Academy, que promete sair das aulas teóricas nos próximos anos. A cultura do jogo, no Brasil, é oral. Ou você viu Telê Santana dar treino ou não vai saber como ele fazia. Ou viu Zagallo ou não lerá nada por escrito. Mas conteúdo há.
O Internacional precisa de um projeto para voltar a ser campeão brasileiro. Há 45 anos, era o maior campeão do Brasil. Deixou de ser depois do tri, de 1979. Zubeldía é o oposto disso. É um técnico para Copas. Então, por que Zubeldía para o Brasileirão? Pela mesma razão que se contratavam os velhos técnicos. Porque é o melhor nome disponível para servir como escudo para os dirigentes. Não dá para dizer que o Palmeiras não deu sorte para ter o trabalho mais longo do atual futebol do Brasil. Antes de Abel Ferreira, queria Miguel Ángel Ramírez. Fracassou e o sucesso veio com Abel.
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Isso não exclui o fato de que o fracasso vem mais certo se a opção for pelo nome e não pelo estilo. Zubeldía não vai ganhar o Brasileirão pelo Internacional. Pode até ganhar a Libertadores. É isso o que o Inter quer? Então, tudo bem. Mesmo assim, é incrível como o revezamento de treinadores persiste, resultado da falta de convicção dos dirigentes brasileiros. Que tal se, em vez de contratar treinadores de outras nacionalidades, comecemos a eleger dirigentes vindos de além-mar? Pode dar certo.





