Ancelotti monta Brasil de 2026 ao estilo da seleção de Parreira, tetracampeã em 1994

Técnico, que estava na comissão da Itália naquela Copa, busca organização, força defensiva e um camisa 9 como Romário

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Carlo Ancelotti já tomou a sua decisão da forma de o Brasil atuar na Copa do Mundo de 2026. Vai ser como jogou a seleção tetracampeã nos Estados Unidos, sob o comando de Carlos Alberto Parreira e que tinha no ataque Bebeto e Romário. Aquele Brasil ganhou da Itália, de Ancelotti, na grande final, após empate no tempo normal sem gols. Taffarel fez a diferença nas cobranças de pênaltis e Roberto Baggio chutou na “lua” na sua vez.

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Ancelotti não vai jogar como o Brasil em 1982 nem como o time de Felipão na Copa de 2002, quando a seleção se sagrou pentacampeã. Para o treinador italiano, essas duas equipes, de épocas diferentes, tinham jogadores acima da média do meio de campo para frente, o que ele não vê no time que herdou de Dorival Júnior, e cujo trabalho tem apenas cinco meses.

Seleção brasileira escalada por Carlos Alberto Parreira para a final da Copa de 1994, contra a Itália / CBF

O ano era 1994. O Brasil teve muitos problemas para se classificar nas Eliminatórias daquela Copa. Quase ficou fora. Mas no Mundial dos Estados Unidos, sob um calor infernal do meio do ano e jogos ao meio-dia, a seleção interrompeu os 24 anos sem ganhar uma Copa. O tricampeonato ocorreu em 1970. Ancelotti estava na comissão técnica daquela Itália e viu tudo de perto.

Setor defensivo é obsessão

O setor defensivo é sua obsessão. Casemiro e Bruno Guimarães são os seus Dunga e Mauro Silva de Parreira. Isso está definido, salvo, claro, contusões. Os laterais precisam ser firmes na defesa e não no ataque, embora estejam liberados para atacar. Naquela partida final da Copa de 1994, Jorginho era o lateral-direito e Branco estava na esquerda. Eram dois bons marcadores. Mazinho fazia a direita pelo meio e Zinho era o seu espelho na esquerda. Isso explica a escolha de um zagueiro, Militão, na lateral-direita.

Ancelotti ainda procura por esses jogadores no meio de campo. Paquetá e Matheus Cunha podem ser esses dois jogadores no meio de campo do Brasil. Eles têm a função de articular todas as jogadas ofensivas, ajudar os volantes e se aproximar dos atacantes. Vini Jr. é um dos atacantes. O Romário da vez, com outras características. Vini não é matador. É atacante veloz e driblador pelos lados, geralmente na esquerda. Rodrygo e Estêvão brigam pela outra posição, embora Ancelotti possa escalar Rodrygo também no meio de campo.

Roberto Baggio, atacante da Itália na final da Copa do Mundo de 1994: chute para fora contra Taffarel / Reprodução

O que falta? Um centroavante. Um jogador de área, como Pedro ou João Pedro. Essa é a maior dúvida do treinador italiano. O elenco ou a safra brasileira para 2026 tem mais atacantes pelos lados de campo, do drible e da velocidade. Os centroavantes são mais raros e nem todos vivem boa fase. Endrick também entrou na briga, mas o atacante “perdeu” seis meses no Real Madrid e agora corre contra o tempo.

Futebol mudou de 1994 para 2026

O Brasil de 2026 olha para trás e descobre o Brasil de 1994, apesar de o futebol ser completamente diferente hoje em dia, mais corrido, mais veloz, mais disputado, sem espaços, com os goleiros atuando com os pés e de mais pressão na saída de bola.

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