O futebol brasileiro terá uma nova e rigorosa era de controle financeiro a partir de 2026. A CBF apresentou seu plano de Sistema de Sustentabilidade do Futebol (SSF), popularmente conhecido como fair play financeiro, que prevê uma lista extensa e severa de punições para clubes e dirigentes que desrespeitarem as novas regras de gestão, gastos e formação de times. O modelo, que será implementado integralmente até 2030, mas que já começa a valer no ano que vem, não é apenas preventivo, mas, sobretudo, corretivo. O sistema visa que os clubes brasileiros, em sua maioria, parem de sangrar financeiramente.
“Trata-se de um modelo corretivo. Não vamos dizer o que o clube pode fazer ou deixar de fazer, mas analisar o que foi feito por ele”, explicou Caio Resende, um dos idealizadores do programa da CBF apresentado nesta quarta no Summit da entidade com a participação de representantes dos clubes e de instituições esportivas.

O monitoramento será realizado por meio de uma plataforma unificada de fiscalização, o Domestic Transfer Matching System (DTMS), onde a CBF terá acesso a informações cruciais como custos, transferências, contratos e dívidas dos times das Séries A e B, inicialmente. Clubes que não preencherem a ficha estarão impedidos de inscrever novos jogadores, por exemplo. A CBF vai se transformar num grande “fiscal” das contas dos clubes, como se tentou décadas atrás (1986) no Brasil por conta do Plano Cruzado com os aumentos dos preços no comércio varejista. As pessoas eram os “fiscais do presidente Sarney”.
Punições que podem tirar clubes de cena
A lista de sanções aos clubes inclui medidas que afetam diretamente o desempenho esportivo e a sua saúde financeira, com potencial para alterar os resultados, inclusive, de campo. Entre as punições propostas pelo plano da CBF, destacam-se:
1 – Advertência pública
2 – Multa pecuniária
3 – Retenção de receitas
4 – Transfer ban (proibição de registrar atletas)
5 – Perda de pontos
6 – Rebaixamento
7 – Cassação ou não concessão de licenças
Receitas direcionadas
O futebol brasileiro nunca teve regras assim em sua história. O risco de rebaixamento e a perda de pontos sinalizam a seriedade da CBF em forçar o cumprimento das normas, que se baseiam em quatro pilares principais, incluindo o controle de dívidas em atraso e a proporção de custos com elenco (70% das receitas na Série A e 80% na Série B). The Football conversou com dirigentes de clubes do Brasileirão meses atrás e ouviu deles que a entidade de Samir Xaud não estava ouvindo as necessidades dos clubes.
Banimento do futebol
As regras também atingem diretamente os responsáveis pela gestão dos clubes, com sanções que podem encerrar carreiras no futebol. O projeto tenta fazer valer a lei de responsabilidade esportiva, que já existe no esporte, mas é quase que ignorada pela turma do futebol. Os dirigentes punidos podem sofrer sanções pesadas, como:
1 – Advertência pública
2 – Multa em dinheiro
3 – Suspensão temporária
4 – Proibição do exercício de cargos
5 – Banimento do futebol

A punição máxima — o banimento do futebol — demonstra o compromisso da CBF em responsabilizar as gestões por práticas insustentáveis. Há clubes com dívidas altíssimas, como o Corinthians: R$ 2,7 bilhões. O clube do Parque São Jorge não consegue pagar o que deve apenas com a receita anual. Vai precisar de bons anos para zerar com os credores. Há uma preocupação maior do fair play financeiro com clubes que devem para outros clubes, para atletas e treinadores.
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Para fiscalizar e julgar as sanções, a CBF informou a criação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). Este órgão independente, composto por sete integrantes nomeados pela própria entidade com mandato de quatro anos, será o responsável por monitorar, fiscalizar, julgar e aplicar as punições aos “ilegais”, garantindo o rigor na implementação do novo modelo de fair play.





