Foi Carlos Belmonte que pediu as contas no São Paulo. O diretor de futebol apresentou sua carta de demissão logo após a derrota vexatória por 6 a 0 diante do Fluminense, no Rio. Nem ele nem o presidente Julio Casares estavam no Maracanã com o time naquele dia. Belmonte já havia colocado o seu cargo à disposição em outras oportunidades, mas desta vez isso foi feito em caráter definitivo.
Casares não tinha o que fazer. Já sabia que a parceria não estava indo bem e que teria de tomar providências. O arranjo lá atrás entre as partes foi político. Mas o acordo desandou neste ano, quando Casares deixou de investir no futebol. Belmonte nunca concordou com isso. Sentia-se desprestigiado.

Há uma frase de Casares na conversa entre ambos, a que The Football teve acesso, que dimensiona o distanciamento das partes. “Celebramos e choramos minutos bons e ruins”. Ora, pontuar “minutos” juntos é muito pouco para uma parceria que vinha de anos. O desconforto estava insustentável.
Casares: mais dinheiro ao futebol
A saída de Belmonte, e de mais dois dirigentes do futebol que estavam abaixo dele, Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi, não resolve os dramas do elenco nem do técnico Crespo. Há uma promessa de reajuste nos gastos do futebol para 2026, saltando de R$ 350 milhões para R$ 400 milhões, com um ganho de R$ 50 milhões. Não é muito.
O executivo Rui Costa e o coordenador Muricy Ramalho assumem o departamento de futebol. As mágoas permanecem, embora ambos neguem que a disputa política entre os cardeais do clube já começou. Belmonte, que estava havia cinco anos na função, carrega a bandeira do “futebol em primeiro lugar sempre”. Casares defende a reestruturação financeira. Belmonte virou oposição no Morumbi.

Muricy também deve deixar o clube. Ele espera o fim do mandato de Casares para cumprir o seu contrato e cair fora. Rui Costa é um profissional sério, tem ambições e boas ideias. Resta saber se terá autonomia para fazer o que precisa ser feito.
G8: olho na Libertadores
O time tem mais duas rodadas para confirmar a oitava colocação na tabela do Brasileirão, de modo a ainda sonhar com a pré-Libertadores caso Cruzeiro ou Fluminense ganhe a Copa do Brasil. Se isso acontecer, o G7 vira um G8.
O São Paulo não merece estar na competição sul-americana, mas as regras são essas. Crespo fica e já participa das decisões do elenco, que terá mudanças. Ele vai pedir reforços no ataque e no meio de campo. Calleri volta em janeiro, para o Paulistão, que começará dia 11. Lucas Moura e Oscar ainda vivem seus dramas pessoais.
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Casares promete apresentar um balanço positivo nesta temporada, com superávit e redução da dívida de R$ 912 milhões. Ele precisa disso para justificar o péssimo ano esportivo e as saídas de três dirigentes do futebol em novembro. Em 2026, há um agravante: eleições. Casares vai ter de trabalhar nas duas frentes: resgatar o futebol e fazer o seu sucessor.





