Com Gabigol no banco de reservas mais uma vez, o Santos encara o Coritiba, nesta quarta-feira, às 19h30 (horário de Brasília), no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, na decisão da vaga às oitavas de final da Copa do Brasil.

No primeiro encontro, Peixe e Coxa empataram, sem gols, na Vila Belmiro, em Santos. Não há vantagem para nenhuma equipe. Quem vencer, avança. Novo empate, os times decidem a classificação em cobranças de pênaltis.

Cuca diz que tem uma ótima relação com Gabigol e nega atrito como motivo para barrar o camisa 9 / Santos

A queda de prestígio de Gabigol não se explica por ausência de gols, mas pelo encaixe coletivo, segundo análise do técnico Cuca.

Em sua avaliação, Cuca prefere um time mais móvel e pelo contraste entre produção individual e funcionamento tático, como aconteceu na partida contra o Red Bull Bragantino, vitória, por 2 a 0, no último domingo, na Vila Belmiro.

“Quanto ao Gabigol, ele explicou que não ficou porque teve um problema estomacal. Quanto a isso, não temos o que falar, não houve represália nenhuma. Eu adoro ele. É um jogador estupendo, gosto dele como pessoa. Não existe nada contra, pelo contrário”, disse Cuca, ao negar problemas com o jogador que foi para o vestiário, ao ser substituído, no segundo tempo da partida contra o Recoleta, pela Copa Sul-Americana, na Argentina, no dia 5 deste mês.

“Foi uma situação de jogo, cada jogo tem uma história. O jogo mostrou que fizemos a escolha certa. Ele entrou depois, deu tudo certo e está tudo resolvido”, completou Cuca.

Tudo sobre o Santos

Volta do Menino da Vila 

Gabriel Barbosa retornou ao Santos cercado por uma carga que ultrapassava a lógica de uma simples contratação. 

O empréstimo junto ao Cruzeiro recolocou na Vila Belmiro um jogador formado no clube, com história, idolatria construída em outro momento da carreira e a marca de atacante decisivo.

Para uma equipe ainda em reconstrução, Gabigol parecia reunir três elementos no mesmo pacote: identificação com a torcida, capacidade de finalizar jogadas e autoridade para assumir protagonismo em um elenco pressionado por resultados.

A trajetória, porém, começou a ganhar outro contorno. 

O centroavante, que chegou como resposta para os problemas ofensivos, passou a conviver com uma pergunta incômoda: o Santos joga melhor com ele desde o início ou funciona de maneira mais equilibrada quando não precisa organizar todo o ataque ao redor do camisa 9?

A contradição dos números

A perda de espaço de Gabigol não pode ser analisada pela superfície. Em muitos casos, um atacante vira reserva porque deixa de marcar, perde confiança, passa longos períodos sem participar das jogadas ou se torna um corpo estranho no setor ofensivo. Não é exatamente o caso.

Os números de Gabriel Barbosa no Santos em 2026 ainda sustentam uma imagem de jogador influente.

O atacante soma 21 partidas, nove gols e 5 assistências. Em participação direta, portanto, estava envolvido em 14 gols santistas. 

No recorte de gols do Peixe na temporada, em 29 partidas, o Santos soma 37 gols. Gabigol foi responsável por 37,8% dessa produção ofensiva.

Por isso, a discussão não pode ser reduzida a uma suposta queda técnica abrupta. 

Gabigol continua sendo capaz de decidir lances, converter chances e influenciar o placar. 

O incômodo está em outro lugar: na relação entre aquilo que ele entrega individualmente e aquilo que o Santos precisa produzir coletivamente.

É nesse ponto que a análise se torna mais complexa. Gabigol tem números de titular, mas o time de Cuca passou a mostrar sinais de maior fluidez em determinadas formações sem ele. 

O debate, portanto, não é sobre a capacidade do atacante fazer gols. É sobre o quanto sua presença condiciona a maneira como a equipe joga.

Nesta sua volta, Gabigol tem sido decisivo com gols e assistências no ataque santista / Santos

Vitória fortalece Cuca

Os três pontos conquistados contra o Bragantino não foram apenas mais uma partida no calendário. Ela funcionou como um teste de desenho ofensivo. 

Sem Gabigol entre os titulares, Cuca escalou o meia argentino Álvaro Barreal e viu o Santos apresentar um comportamento mais dinâmico. 

O time ganhou mobilidade, aumentou a participação de jogadores entre as linhas e ofereceu a Neymar um ambiente menos travado para receber a bola perto da área.

Essa é a informação que mais pesa contra o camisa 9 neste momento. 

Quando um treinador retira um atleta de grande peso simbólico e a equipe responde melhor em alguns aspectos, a hierarquia interna deixa de ser automática. 

O status do jogador segue existindo, mas passa a ser confrontado pelo rendimento coletivo.

Barreal, usado na vaga que poderia ser de Gabigol, ofereceu deslocamentos, intensidade e participação na construção. Em vez de um centroavante mais fixo, o Santos teve uma peça de maior circulação. 

A equipe ficou menos previsível. Neymar pôde aparecer em zonas mais agressivas. O meio encontrou mais opções de passe. E a recomposição sem bola pareceu mais ajustada.

Cuca, ao explicar a decisão, indicou que queria ver “outras maneiras de jogar”. A frase resume o problema de Gabigol. 

O treinador não parece discutir apenas quem é o melhor finalizador do elenco. Ele está procurando o melhor formato para que o Santos seja competitivo, proteja-se melhor e ataque com mais variedade.

Nesse tipo de escolha, nome e histórico pesam, mas não resolvem tudo. O campo passou a apresentar argumentos que relativizam a titularidade do camisa 9.

Santos sem um 9 fixo

A ausência de Gabigol entre os titulares permitiu ao Santos atuar sem uma referência ofensiva tão definida. Isso muda a mecânica do time. 

Com um centroavante de área, a equipe tende a procurar mais cedo a finalização, as bolas cruzadas, os passes verticais e os movimentos de ataque ao espaço curto. 

Com jogadores mais móveis, o ataque se espalha, troca posições e cria dúvidas diferentes para a defesa adversária.

Gabigol é um atacante de leitura apurada dentro da área. Sabe ocupar o espaço entre zagueiros, percebe rebotes, antecipa movimentos e tem frieza para concluir. Seu jogo cresce quando o time consegue aproximar jogadores, controlar o campo ofensivo e abastecê-lo com frequência. 

O Santos, entretanto, ainda não é uma equipe suficientemente estável para sustentar esse tipo de domínio em todos os jogos.

Cuca parece buscar outro caminho. O treinador quer um time menos espaçado, mais intenso na pressão, com maior capacidade de recompor e de circular a bola sem depender de um único ponto de chegada. 

Nessa ideia, o atacante central precisa fazer mais do que finalizar. Precisa participar da primeira pressão, arrastar marcadores, abrir corredores, conectar setores e oferecer mobilidade.

Neymar vai jogar com mais liberdade à frente do ataque do Peixe neste duelo com o Coritiba / Santo

Interrupções atrapalham sequência

Outro fator importante é a falta de continuidade. Gabigol teve bons momentos na temporada, participou diretamente de gols e mostrou capacidade de decidir, mas sua sequência foi interrompida por diferentes motivos.

No final de março, uma lesão na panturrilha direita adiou sua primeira partida sob o comando de Cuca, que seria contra o Remo, no dia 2 de abril, na Vila Belmiro. 

Antes disso, o atacante já havia ficado fora do duelo que marcou a reestreia de Cuca, na partida contra o Cruzeiro, no dia 28 de março, no Mineirão.

Por causa de uma cláusula contratual, uma vez que pertence ao clube mineiro e foi emprestado ao Santos.

A primeira partida foi na derrota, por 3 a 1, diante do Flamengo, no Maracanã, no dia 5 de abril. Gabigol ficou na reserva e entrou na etapa final. 

Também houve ausência por suspensão, causada pelo acúmulo de cartões.

Essas interrupções não anulam seus números, mas interferem no processo de afirmação dentro de um novo trabalho. 

Enquanto Gabigol alternava presença, ausência e retorno, Cuca observava outras possibilidades para o ataque. Rony, Thaciano, Barreal e formações sem um centroavante fixo passaram a fazer parte da análise do treinador.

No futebol, a ausência de um titular pode abrir espaço para soluções inesperadas. Quando o substituto entrega respostas positivas, a volta do jogador principal deixa de ser automática. 

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Foi isso que começou a acontecer com Gabigol. O Santos precisou se reorganizar sem ele em alguns momentos e descobriu caminhos que agradaram à comissão técnica.

A lesão, portanto, não foi a razão definitiva da reserva, mas ajudou a criar o contexto para que a disputa se tornasse real.

 

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