É preciso olhar para a receita recorde do Flamengo de R$ 2 bilhões, em 2025, além do valor apresentado em seu balanço. E longe também da comparação com os outros clubes do futebol brasileiro. A gestão da Gávea aponta caminhos muito mais significativos do que apenas o valor da arrecadação em si. Talvez a notícia desse balanço não esteja na quantidade de dinheiro, mas na maneira com que o clube arrecadou.
O Flamengo, por exemplo, não tem nos direitos das transmissões dos jogos do time sua principal fonte de receita. Ou seja: enquanto a maioria dos clubes se rasteja para a divisão do bolo das duas ligas desse segmento, o Fla tem receitas maiores com outros negócios, como, por exemplo, a venda de jogadores, o contrato com patrocinadores, o programa de sócio-torcedor e uma bilheteria capaz de colocar mais de 60 torcedores no Maracanã e ainda o match day, aquele dia gostoso de jogo do time no estádio, com venda de camisas e adereços e todo o consumo de bebidas e comidas.

O direito de transmissão dos jogos é uma fatia importante das receitas do clube, mas está longe de ser a única ou mesmo a mais rentável. Para se ter uma ideia, mesmo sem esse dinheiro das TVs e do streaming, o Flamengo teria batido o recorde de arrecadação na temporada.
Sócio- torcedor
O clube teve 72 mil novos sócios-torcedores em 2025, o que prova que um bom time em campo caminha passo a passo com a solidez e a arrecadação do clube. O desafio é seguir aumentando o número de associados do programa e manter os já existentes.
Não dá para dissociar o futebol dentro de campo do departamento financeiro do clube no Brasil. Um time bem estruturado e com bom rendimento traz recursos para os seus cofres. O Mirassol é um bom exemplo de time pequeno nessa condição. Sua campanha no Brasileirão, em quarto lugar e com o direito de jogar a fase de grupos da Libertadores em 2026, mais do que dobrou seus ganhos na temporada.
Flamengo para os flamenguistas
No caso do Flamengo, a gestão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, precedida pela de outros dirigentes recentes, abre uma janela para novas fontes de receitas, reformulação de fontes antigas e valorização inteligente e rentável da marca do clube. É Flamengo para os flamenguistas. A marca Flamengo é muito forte, mas há outros clubes no país com bandeiras também pesadíssimas.
Repúdio
Uma pena que Bap tenha agredido verbalmente a jornalista Renata Mendonça, da Globo, num comentário dentro do clube. Foi péssimo para a imagem do Fla e mais ainda para ele. Cabe processo, para não ficar apenas nas condenações ao dirigente pelas redes sociais. Embora o clube tenha sido um retumbante sucesso neste ano, seu presidente ainda tem características amadoras e preconceituosas, dignas de repúdio.
Mas o sucesso do Flamengo precisa ser entendido, aprendido e replicado no futebol brasileiro, de modo a fazer com que mais clubes tenham times fortes e dinheiro no caixa, sempre respeitando as características de cada um e das regiões do Brasil. E que não apostem todas as suas fichas numa única fonte de renda nem se contentem com as maneiras ultrapassadas de gerir a parte financeira do clube. É preciso dar passos retos e seguros. O futebol precisa de melhores cabeças e de estruturas menos viciadas. O Flamengo mostra um caminho.





