Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC

Em seis meses, dois grandes clubes do Brasil levaram seus presidentes à votação do impeachment. Augusto Melo foi deposto do Corinthians, em agosto do ano passado. Julio Casares terá seu impedimento decidido na quarta-feira, 14 de janeiro. Não é provável que seja retirado do cargo, mas as acusações dão o que pensar, mesmo sem julgar por antecedência e até desconsiderando o inquérito da Polícia Civil.

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Antes de ser presidente do São Paulo, Julio Casares tinha mercado como executivo de grandes empresas de comunicação, como a Record TV. Nesse mercado, há salários acima dos três dígitos. O São Paulo é um caso raro de clube brasileiro que remunera seu maior executivo: R$ 27 mil brutos por mês. É o que demonstra a reportagem de Danilo Lavieri e Pedro Lopes, no Uol.

Julio Casares terá a votação do seu pedido de impeachment do São Paulo votado no dia 14 de janeiro / SPFC

À parte os depósitos de R$ 1,5 milhão investigados pelo Coaf, a segunda maior remuneração de Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025 foram os R$ 617 mil de salário depositados pelo São Paulo. Em média, R$ 21,2 mensais. É seu salário líquido.

Augusto Melo, do Corinthians

Por que alguém com mercado para ganhar mais de R$ 100 mil por mês troca sua vida de executivo de mercado por um cargo de dirigente de clube que paga 20% de seu potencial?
Pode ser por amor, por vaidade, porque sua vida já está resolvida e pode gastar mais do que isso por viver de renda, ou então…

Não se discute aqui o caso de Julio Casares ou de Augusto Melo, ou de qualquer outro dirigente não levado a processo de impeachment. Discute-se o conceito. Se um clube de futebol é capaz de produzir entre R$ 700 milhões e R$ 2 bilhões de receita anual, seu principal executivo precisa ser remunerado de acordo com o mercado. Quanto vale? R$ 200 mil? Pague-se.

Augusto Melo, então presidente do Corinthians, foi afastado do cargo no segundo semestre de 2025 / Agência Corinthians

Antes de se tornar presidente, Julio Casares participou de um debate com Marco Aurélio Cunha num programa de televisão. Um de seus argumentos contra o médico e ex-superintendente de futebol são-paulino era o de que trabalhou em seu clube de coração com remuneração de executivo.

Maluf e Adhemar de Barros

Claro! Qual o problema nisso? Todo trabalho tem preço e deve ser remunerado. Não está em discussão se alguém pode viver sem receber remuneração. Há uma lenda urbana de que se você veio de família rica não precisa roubar. No entanto, alguns dos mais ricos governadores de Estado do Brasil ficaram famosos pela alcunha de “Rouba, mas Faz.” Adhemar de Barros e Paulo Maluf. O primeiro, de família aristocrática de Piracicaba, ajudou Cícero Pompeu de Toledo com a doação de uma parte do terreno onde hoje está o estádio que leva seu nome.

Adhemar também doou, pela Imobiliária Aricanduva, terrenos onde estão a Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e o Hospital Albert Einstein. A rua Dona Elisa de Moraes Mendes, na zona oeste de São Paulo, homenageia sua sogra, assim como o túnel Maria Maluf, na zona sul da capital paulista, é referência à mãe do ex-governador Paulo Maluf.

Presidentes afastados

Julio Casares é inocente até que se prove o contrário. Na história dos grandes clubes brasileiros, não são muitos os casos de afastamentos da presidência, mas têm aumentado vergonhosamente. O Corinthians depôs Miguel Martinez, em 1972, e Augusto Melo, em 2025. O Palmeiras retirou do cargo Jordão Bruno Sacomani, apelidado jocosamente de “Sacou Money”, em 1977. O Santos teve as renúncias de Rubens Quintas, Manuel dos Santos Sá, Miguel Kodja Neto e Luís Álvaro, levou ao impeachment José Carlos Peres um mês antes do fim de seu mandato, em 2021. O Flamengo “impichou” Edmundo dos Santos Silva, em 2002. O São Paulo teve apenas o caso de Carlos Miguel Aidar, que renunciou à presidência em 2015 para não ser impedido de exercer o cargo.

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O mesmo Aidar recomendou a Julio Casares que não renuncie. “Eu fui absolvido em todas as instâncias e fiquei com a mácula de ter roubado sem ter roubado porra nenhuma”, diz Aidar. Na época, a inocência se provou a partir de uma declaração do próprio clube de que não se sentia lesado. Como o clube não tem boca, nem mãos, foi a pessoa física de um dirigente quem assinou tal declaração.

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