A bola pune! A frase, eternizada por Muricy Ramalho — símbolo máximo do São Paulo vencedor — sempre foi usada para explicar aqueles momentos em que o desempenho cai e o resultado não vem dentro de campo. Olhando para dentro do São Paulo, melhor seria se Muricy agregasse ao seu mantra um novo componente, assim: a bola e a política punem!
Essa ampliação ajuda a explicar o momento de profunda instabilidade vivido pelo São Paulo. Os resultados não aparecem, as perspectivas são cada vez mais sombrias e os problemas extrapolam há muito tempo o gramado. O que se vê hoje é um clube consumido por conflitos internos, denúncias e práticas administrativas que desmontam, peça por peça, a imagem de gestão moderna que o Tricolor já ostentou no passado. O São Paulo virou uma caricatura de si mesmo. E não por acaso.

Nesta semana, o Conselho Deliberativo vota a admissibilidade do processo de impeachment do presidente Julio Casares, envolvido em acusações graves que incluem desvio de recursos, venda irregular de camarotes do Morumbis em dias de shows e movimentações bancárias no mínimo suspeitas. Tratar tudo isso como “crise política alimentada pela oposição” é negar a realidade. O problema é institucional — e a atual gestão concorre diretamente para ele. Nada foi comprovado ainda.
2025 não acabou no Morumbi
Seria ingênuo imaginar que o time permaneceria imune a esse ambiente. Clubes não se separam em departamentos estanques. Quando a política adoece, o campo evidencia os sintomas de debilidade. Quando a ética se perde nos bastidores, a confiança se esvai no vestiário. A impressão é de que 2025 ainda não acabou para o São Paulo, que segue amarrado a um emaranhado de problemas herdados, mal resolvidos e agravados pela incapacidade de enfrentá-los.

O calvário já chegou aos jogadores. A derrota por 3 a 0 para o Mirassol foi mais do que um tropeço: foi um retrato do fundo do poço logo ali. Envergonhados, alguns atletas admitem não enxergar perspectivas de melhora. Pelo contrário. O camisa 10, Luciano, foi explícito ao afirmar que o cenário tende a piorar, fazendo um apelo quase dramático à torcida: “não nos abandonem”. Quando o pedido vem assim, público e sem maquiagem, é sinal de que algo está profundamente errado.
É preciso botar o dedo na ferida
O São Paulo é refém de duas mazelas: má gestão e normalização do caos. Como aconteceu recentemente com o Corinthians, o clube precisa de um choque de realidade para romper essa falsa sensação de controle. Fingir que não há culpa, que tudo se resume a ruído político ou azar com a bola, é cavar um buraco do qual talvez não consiga sair tão cedo. Essas providências são mais urgentes do que a contratação de reforços ou a demissão do treinador. É preciso botar o dedo na ferida que mais sangra.
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O ano está apenas começando, mas o alerta já foi dado. Sem uma terapia de choque, sem cortar os males pela raiz, o Tricolor corre o risco de atravessar 2026 em turbulência constante — e, em algum momento, flertar seriamente com aquilo que hoje muitos ainda tratam como exagero: a ameaça real de rebaixamento. A bola pune. A política também. E o São Paulo está pagando o preço das duas sentenças.





