Esqueça, por um instante, se você é a favor ou contra o processo de impeachment do presidente Júlio Casares. Não importa de que lado você esteja. Seja qual for o seu voto nessa batalha política que agitou o São Paulo nesta sexta-feira, dia 16, é preciso ter em mente que, independentemente do resultado, o clube viveu hoje um momento triste, vexatório e indigno de sua história.
O simples fato de o São Paulo Futebol Clube, uma das instituições mais vencedoras e respeitadas do país, ver-se obrigado a discutir o impedimento de um presidente eleito já representa uma derrota coletiva. Uma derrota que não se mede em votos, mas em desgaste institucional. Em perda de identidade. Em ruptura com valores que, durante décadas, ajudaram a diferenciar o clube das três cores no cenário esportivo e administrativo brasileiro.

As denúncias que levaram à convocação da reunião do Conselho Deliberativo são, por si só, devastadoras para a imagem do clube. Da venda ilegal de camarotes no mercado paralelo a prestações de contas envoltas em suspeitas, passando pela existência de contratos escusos e por pressões internas para proteger dirigentes, o enredo expõe um São Paulo distante daquele que se orgulhava de ser referência em governança e liderança. Mesmo que o processo esteja longe de seu capítulo final — e certamente terá desdobramentos —, o dano institucional já está imposto.
A soberania caiu por terra
Durante muito tempo, o São Paulo construiu a reputação de clube “diferenciado” não apenas pelos títulos conquistados em campo, mas pelo perfil de seus dirigentes. Os chamados “cardeais”, como eram conhecidos no passado, simbolizavam nobreza, sobriedade e competência administrativa. Era um modelo respeitado, inclusive, por adversários, que viam no Morumbi um exemplo de organização e visão de longo prazo. Em diferentes áreas, o clube foi sinônimo de gestão moderna, planejamento e responsabilidade.

Essa imagem, no entanto, se perdeu ao longo dos anos. O São Paulo foi, pouco a pouco, abandonando sua condição de exceção para se acomodar na vala comum de clubes marcados por crises políticas recorrentes, disputas internas e escândalos administrativos. A reunião desta sexta-feira é consequência direta desse processo de erosão institucional — e não deveria ser celebrada por nenhum dos lados que defendem interesses distintos.
Nessa história, ninguém sai ganhando
Ao contrário: trata-se de um episódio que deve envergonhar todos os são-paulinos. Conselheiros, dirigentes, sócios e torcedores. Um ponto de inflexão que precisa servir como reflexão profunda sobre o presente e, sobretudo, sobre o futuro do clube. Porque quando a política interna se sobrepõe à instituição, todos perdem.
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Com toda a certeza, o São Paulo não sai ileso deste 16 de janeiro de 2026. Independentemente do que vier a ser decidido nas próximas etapas, o clube jamais será o mesmo depois de hoje. E talvez essa seja a constatação mais dura — e mais necessária — de todas. Como diz os hino do clube, resta a certeza de que as tuas glórias vêm do passado. E lá ficaram.





