O empate por 1 a 1 entre Corinthians e São Paulo, na tarde deste domingo, na Neo Química Arena, é daqueles resultados que ninguém sabe muito bem como digerir. Em tese, num clássico, a igualdade costuma ser aceitável — às vezes até esperada. Mas o Majestoso deixou uma sensação estranha, quase incômoda: ninguém saiu exatamente feliz, tampouco totalmente desapontado. Em miúdos, é claro que empatar é melhor do que perder. Ainda assim, tanto de um lado quanto do outro ficou a impressão incômoda de que dava para ganhar.

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Foi como se, num duelo de sobrevivência, Corinthians e São Paulo deixassem o campo meio vivos, meio mortos. O placar não foi injusto. O 1 a 1 traduziu bem uma partida equilibrada, marcada por muitos erros técnicos, cuidados defensivos excessivos e pouca ousadia. Faltou brilho ao clássico, embora seja preciso levar em conta que o ano ainda engatinha e muitos jogadores seguem longe do seu melhor nível físico, técnico e tático.

São Paulo consegue um bom empate com o Corinthians dentro da Neo Química Arena no Paulistã: 1 a 1 / SPFC

O Corinthians foi melhor no primeiro tempo e poderia — talvez devesse — ter aberto o placar em ao menos duas grandes chances com Yuri Alberto. Não aproveitou. E, como tantas vezes acontece no futebol, pagou o preço. Na única finalização do São Paulo até então, o gol saiu. Num vacilo coletivo da marcação corintiana, o Tricolor girou a bola de um lado ao outro do campo.

São Paulo marcou primeiro

Danielzinho cruzou pela esquerda e encontrou Tapia completamente livre na área. A cabeçada foi limpa, precisa e com estilo. Um gol que desconcertou o Corinthians e, aos poucos, fez a irritação tomar conta das arquibancadas. Dorival já havia escolhido mandar a campo o melhor que tinha à disposição e, na etapa final, foi mexendo para empurrar o time para frente. O Corinthians passou a atacar mais por necessidade do que por organização, e o jogo seguiu truncado, tenso, com cara de clássico jogado sob desconfiança.

Breno Bidon fez o gol de empate do Corinthians aos 44 minutos do segundo tempo contra o São Paulo / Corinthians

O empate só apareceu aos 44 minutos, num daqueles repentinos gestos individuais que mudam a história de um jogo. Breno Bidon, até ali absolutamente apagado, vivendo uma de suas jornadas mais discretas no time principal, resolveu tudo em um lance. Craque é assim mesmo: pode errar o jogo inteiro, mas numa única bola se redime. Pedro Raul brigou, a bola sobrou, Bidon recebeu dentro da área, teve frieza, limpou o lance e bateu de canhota para decretar o empate. Justiça no marcador.

Breno Bidon empatou

Na saída de campo, as declarações de Danielzinho e Bidon ajudaram a traduzir o sentimento ambíguo que tomou conta do clássico. Aceitação e lamento caminhando lado a lado. “Pela circunstância do jogo, fica a sensação de que dava para segurar a vitória. Infelizmente, não fomos agressivos na marcação até o fim e eles empataram. Tudo bem. É levantar a cabeça. Um ponto aqui nunca é ruim”, disse o volante são-paulino.

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Do outro lado, Bidon resumiu bem o paradoxo corintiano. “O empate acabou sendo um bom resultado pela forma como foi o jogo. Mas dava para ganhar. Criamos mais que eles e tomamos o gol num momento de desatenção. Não vencemos, mas seguimos trabalhando”.

No fim, ninguém perdeu. Mas ninguém ganhou de verdade. E talvez essa seja a melhor definição de um Majestoso que confirmou o quanto o futebol brasileiro pode ser cruel: mal o ano começou e dois gigantes já jogam sob a sombra da pressão, da urgência e da permanente sensação de que qualquer tropeço pesa mais do que deveria.

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