A tarde desta quarta-feira, dia 21, marcou o fim do ciclo de Julio Casares na presidência do São Paulo. O dirigente, que já estava afastado do posto desde a última sexta, por votação no Conselho Deliberativo, renunciou por meio de uma carta aberta publicada nas redes sociais. Casares esperou alguns dias entre a decisão dos conselheiros do clube e sua decisão. Fez isso para não perder seus direitos no São Paulo. Mas ele ainda terá de responder pelo suposto desvio de dinheiro do clube.
A queda de Casares é o desfecho de uma crise que se intensificou no fim de 2025, com troca de dirigentes e denúncias anônimas. Pesam contra a gestão do presidente acusações de saques nas contas do clube que somam R$ 11 milhões e um esquema de comercialização irregular de camarotes no MorumBis. Tudo ainda precisa ser provado.

Com a saída de Casares, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, passa a ocupar a cadeira de presidente de maneira interina, até o fim do mandato, em dezembro. Depois disso, a política do clube seguirá o seu percurso normal, com novas eleições. O novo presidente não vai fazer mudanças drásticas, mas ele pode ter de enfrentar pedidos de demissão, como de Muricy Ramalho.
SIGA THE FOOTBALL
Instagram
Facebook
Linkedin
TikTok
Facebook
Casares não deu entrevistas nem fez um pronunciamento em público. Ele prepara sua defesa das acusações. Mas disse que não há provas robustas contra ele. No fim das contas, seus aliados se afastaram. O presidente ficou isolado no clube.
Leia o texto de Casares
Carta à comunidade são-paulina
Uma mensagem aos torcedores, conselheiros e sócios
Ao longo da minha trajetória à frente da presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida. Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.
O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas. Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação no debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube – fatos que o tempo e a história haverão de registrar.
Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal. Não renunciei anteriormente porque entendo ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas. Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos. A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.
Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade. Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas. Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saída e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continua a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de presidente, com efeito a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.
Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.
Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança. Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição. Meu afastamento também tem como objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer alegações ou interferências, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.
Reitero, por fim, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância ou narrativa construída. Renuncio à presidência para preservar minha saúde e proteger minha família. Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube. Despeço-me com respeito, gratidão e amor permanente por essa instituição, que sempre honrarei.
Julio Casares





