Nova York – Quase ao mesmo tempo em que os técnicos e capitães de Argentina e Espanha participavam das entrevistas oficiais realizadas no centro de convenções Javits, às margens do Rio Hudson, em outro ponto de Nova York uma outra reunião chamou a atenção. Em um auditório na Trump Tower, entre a Quinta Avenida e a rua 56, no coração endinheirado da Ilha de Manhattan, ocorreu um evento importante da Fifa, da Copa e dos Estados Unidos: praticamente sem a presença de jornalistas estrangeiros, ele reuniu Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, o dono do edifício, e Gianni Infantino, o presidente da Fifa, para festejar a realização do Mundial 2026.

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Na cerimônia, Trump confirmou que, a exemplo do que ocorreu no Mundial de Clubes, em 2025, ele entregará o troféu da Copa do Mundo ao vencedor entre Argentina e Espanha. O jogo está marcado para domingo, no MetLife Stadium, em New Jersey. Mas não foi só isso que ele disse.

Donald Trump confirmou que entregará a taça de campeão aos vencedores do Mundial neste domingo / Reprodução

Presidente indiscreto

Segundo Grey Whitebloom, editor da revista Sports Illustrated, que estava no evento na Quinta Avenida, outras intervenções de Donald Trump durante o seu monólogo de cerca de 16 minutos de duração foram “surreais”, para dizer o mínimo. Nas suas frases, por vezes desencadeadas, o presidente cornetou o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, pela postura defensiva da sua equipe.

“A Inglaterra tem um ótimo jogador, com quem eu jogo golfe, o Harry Kane. Vocês sabem disso, né?”, questionou Trump. “Acho que talvez tenham cometido um erro ao colocá-lo como jogador defensivo.” Foi dessa forma que a Inglaterra perdeu para a Argentina e deu adeus à decisão. Trump também elogiou Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

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Outro momento de destaque do falatório de Trump no encontro com Infantino e convidados, entre eles Ronaldo Fenômeno, foi quando o presidente admitiu que tinha telefonado para Infantino pedindo para anular a suspensão do atacante Folarin Balogun, contra a Bélgica – ele tinha sido expulso no jogo anterior pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. “Será que era mesmo para cartão vermelho? E eu fui obrigado a ligar para o Gianni e fazer uma recomendação”, disse. “Eu disse: ‘Gianni, deixa o cara entrar no jogo.’”

Infantino em saia-justa

Enquanto isso, na Trump Tower, a expressão do cartola-mór da Fifa era de angústia e incredulidade. Infantino disse inicialmente que não se envolveu nessa questão e deixou a decisão para o comitê disciplinar e comissão de arbitragem da Copa.

Parceria perfeita entre o presidente Donald Trump e Gianni Infantino, da Fifa: fim da Copa do Mundo nos EUA / Casa Branca

No fim do seu discurso, Trump vislumbrou uma futura Copa do Mundo nos Estados Unidos, mas sem México e Canadá. E seria para logo. “O que devemos fazer é vocês (da Fifa)  escolherem os Estados Unidos novamente”, disse Trump fingindo ignorar que já foram atribuídas as sedes dos Mundiais de 2030 (Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos de abertura na Argentina, Paraguai e Uruguai) e 2034 (Arábia Saudita). “Desta vez, vamos deixar o México e o Canadá fora”, brincou, antes de concluir ao seu estilo sempre dando cutucadas e mandando recados.

“Gianni também teve outra ideia”, continuou Trump, provocando um olhar de confusão no presidente da Fifa. “Ele disse que poderíamos fazer (uma Copa) na China e nos Estados Unidos na próxima vez. Faríamos China e Estados Unidos. Assim, teríamos um voo curto entre os jogos. Os jogadores, certamente, adorariam isso.” E todos riram.

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