Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC
A informação mais surpreendente do Brasileirão que começa nesta quarta-feira, dia 28, só terminará no dia 2 de dezembro é: não será o mais longo da história. Por incrível que pareça, a Taça Brasil de 1968 teve início em 4 de agosto daquele ano e só terminou em outubro de 1969. A unificação dos campeonatos promovida pela CBF em 2010 inclui a Taça Brasil entre os Brasileirões de todos os tempos. O Botafogo ganhou do Fortaleza por 4 a 0, na finalíssima do Maracanã, um mês após vender Gérson para o São Paulo.
Não é de hoje que o Campeonato Brasileiro é uma maratona, daquelas completadas por Gabriele Andersen, em Los Angeles-1984. Se você não se lembra do nome, Andersen foi a atleta que entrou no coliseu tropeçando em si mesma, com o corpo torto pelo desgaste físico produzido pelos 42 quilômetros de travessia no verão californiano.

O Brasileirão é uma maratona, repleta de obstáculos, como se fosse uma corrida em que se atravessam rios, montanhas, sol e tempestades no percurso. Mesmo sem ser o mais longo da história do Brasil, o campeonato de 2026 terá a Copa do Mundo e o mercado de transferências no seu caminho. A janela da Europa fecha em fevereiro, a brasileira só em março. Depois, reabre no segundo semestre para compensar o período de transferências na Europa, para o início da próxima temporada.
Fla vai ter Paquetá na 4ª rodada
Vai ser um tal de entra-e-sai, em que não se saberá se o time que iniciou o ano será parecido com o que será rebaixado em dezembro. Ops, o campeão também.
Mas, nos últimos anos, este ex-país do futebol tem conseguido conviver com propostas recusadas, ao menos pelos mais ricos e mais bem colocados na tabela de classificação. O problema era semelhante quando começou a era dos pontos corridos, em 29 de março de 2003. No meio da campanha, o Cruzeiro perdeu o atacante Deivid para o Bordeaux, da França, e o zagueiro Luisão, para o Benfica. Mas o Santos perdeu Ricardo Oliveira para o Valencia e o meia Nenê para o Mallorca. Foi vice.

O São Paulo, terceiro colocado naquela temporada, vendeu Kaká para o Milan por US$ 8,5 milhões. Não dava para ganhar campeonatos assim. Foi melhorando aos poucos, porque a disputa passou a se iniciar em abril, depois em maio, mas agora volta para janeiro. O Flamengo estreia sem Paquetá e terá o jogador, contratado por 41,2 milhões de euros, a partir da quarta rodada, mais ou menos.
O Brasileirão melhorou
O Brasileirão melhorou. As três últimas edições registraram as três melhores médias de público da história do país, mas o alongamento dele, velho pedido da Rede Globo, pode deixar as coisas mais monótonas. A começar pelo fato de que as rodadas iniciais serão apenas às quartas e quintas-feiras, com o domingo reservado aos Estaduais. Não há contradição maior do que esta.
A política atrapalha muito. Mas o Brasileirão sobrevive. Apanha, muda, estica, puxa e ele sempre chama a atenção. Diz-se que será o campeonato espanholizado, com duas forças, germanizado, só com Flamengo no papel de Bayern de Munique, e, no entanto, Atlético-MG e Botafogo venceram nas últimas cinco edições, quatro campeões distintos desde 2021, mais do que a Inglaterra, a Espanha, França, Alemanha, Itália, Holanda e Portugal.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
Como dizia meu tio Sílvio, a gente nem sabe por que está lá, mas está. No fundo sabe a razão: gostamos para caramba! Só que o desafio é atrair mais gente, mais tipos diferentes de pessoas, ricos, pobres, classe média, homens, mulheres, meninas e meninos, brancos, pretos, pardos, todos os gêneros. Numa maratona tão grande, o mais difícil é atrair atenção o tempo todo, com tanta concorrência. Mas o Brasileirão sobrevive e será a maior corrida com obstáculos do esporte mundial em 2026.





