Por Leonardo de Sá
A boa fase do São Paulo não passa apenas pelo entrosamento e categoria de Marcos Antônio e Danielzinho. Nas últimas partidas disputadas pelo Tricolor, o trio formado por Calleri, Lucas Moura e Luciano tem tomado a frente quando o assunto é gols e disposição para chegar ao gol. O entrosamento afiado desse ataque de peso é o combustível que colocou a equipe de Hernán Crespo em outro patamar, pelo menos no início do ano, e fez o torcedor acreditar. Mais do que os números e as vitórias seguidas, o que se vê em campo é uma simbiose de ídolos que personificam a superação dentro do Morumbis.
Os números da temporada comprovam que a eficácia ofensiva voltou. Lucas Moura soma um gol e uma assistência neste Brasileirão, além de um gol também no Paulistão. Já Luciano contribui com um gol e uma assistência no Nacional, somados a dois gols no Estadual. No topo aparece Jonathan Calleri, que balançou as redes duas vezes nestas três rodadas iniciais e já acumula três gols no Paulista. Juntos, eles formam o pilar de um time que se reencontrou após o caos na gestão tricolor de semanas atrás.

Era para ser um quarteto
Essa formação é a resistência de um projeto que, no papel, era para ser um quarteto. Mas o destino foi cruel: a rescisão de Oscar mudou tudo. Ela foi forçada pelo drama físico e um episódio de mal súbito preocupante. A responsabilidade dobrou para os três que ficaram ao lado de Crespo. Cada um carrega um pedaço da história: Lucas é o herói de 2012; Luciano é o artilheiro da entrega de 2020; e Calleri é o símbolo da Libertadores de 2016. Ídolos que já viram de tudo no clube e que agora se juntam para voos mais altos e um mar, por ora, menos agitado fora das quatro linhas.
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Mesmo com idades avançadas e o corpo marcado, o trio mostra um vigor absurdo. Lucas Moura já não é aquele motor imparável de antes, é verdade. Mas continua fazendo das suas para a idade. Ele tem 33 anos. Após se recuperar de uma lesão ligamentar parcial e estiramento no joelho direito, o camisa 7 voltou este ano jogando como se tivesse acabado de chegar: voando em campo, quebrando linhas, indo para cima e humilhando defesas com dribles e agressividade. Sua movimentação é o que permite que o time respire.
Raça de Luciano e faro de Calleri
Luciano é o coração pulsante do São Paulo, goste ou não o torcedor. Com 104 gols pelo clube, ele tem seus defeitos: às vezes deixa a liderança subir à cabeça e exagera na marra dentro de campo. É o mais esquentadinho dos três. Mas quem liga para isso? Ele tem raça e entrega tudo pelo clube. No jogo contra o Grêmio, foi dele o passe para o gol de Calleri. Luciano joga cada dividida como se fosse a última, com uma entrega que poucos têm, sendo a alma desse time nos momentos de pressão. O seu contrato está sendo negociado. Ele vai assinar por mais duas temporadas, até 2028.

Já Calleri é o faro de gol em estado puro. O argentino passou meses recuperando-se de uma ruptura no ligamento cruzado sofrida em 2025 e voltou este ano como se nunca tivesse saído da equipe. Com 84 gols pelo Tricolor, ele já é o segundo maior artilheiro estrangeiro da história do clube. Tecnicamente, Calleri pode até deixar a desejar em alguns lances, mas faz o pivô perfeito e tem um amor à camisa raro de se ver. Tapia deu conta do recado quando precisou, mas Calleri tem o faro diferente. É o símbolo.
Onde a perna não chega, o coração alcança
Após a vitória sobre o Grêmio, Calleri foi direto ao analisar a parceria no ataque. “A gente se entrosa bem. Fizemos um bom trabalho tático, que é o mais importante”. Para o camisa 9, o São Paulo está no caminho certo. O foco agora é a Ponte Preta, domingo, para carimbar a vaga no mata-mata do Paulistão. O time de Crespo parece ter aprendido a sofrer e, finalmente, a ganhar com autoridade. O torcedor, escaldado por anos de decepção, volta a sorrir.
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Com Lucas, Luciano e Calleri em sintonia, o caminho fica menos tortuoso. O “campeão voltou” ainda é um grito contido, mas com esse trio em campo, a esperança não é apenas um desejo, é uma realidade palpável. Onde a perna não chega, o coração desses três ídolos alcança. É o triunfo da raça sobre a incerteza do passado não tão distante.





