A Fifa não vai tolerar manifestações políticas ou protestos de jogadores e membros das comissões técnicas das 48 seleções que estiverem na Copa do Mundo durante o evento, marcado para começar dia 11 de junho na cidade do México. O torneio ocorre simultaneamente no Canadá e Estados Unidos.

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Todos os membros filiados da entidade sabem disso. Em torneios anteriores ou competições que ela organiza, recados sempre foram dados. O “não” às manifestações de qualquer natureza dentro dos jogos sempre foi uma bandeira da entidade. Existe muita preocupação na edição deste ano por causa do governo de Donald Trump. Todas as seleções classificadas pelos torneios eliminatórias serão bem-vindas nos três países-sede.

Gianni Infantino, presidente da Fifa: Copa do Mundo de 2026 terá desafios dentro e fora dos campos / Fifa

O Irã é o maior problema dos Estados Unidos. Para a cerimônia do sorteio dos grupos da Copa, por exemplo, o governo americano concedeu visto de entrada para apenas quatro membros da delegação iraniana. Não era suficiente. O impasse foi resolvido com o boicote dos membros iraniano. Eles não foram ao evento. A seleção do Irã está no Grupo G, com Nova Zelândia, Bélgica e Egito. Para tirar o sonho de Donald Trump, o time iraniano vai fazer duas partidas em Los Angeles e uma em Seattle.

O fator Donald Trump

Apesar de o governo ser dos Estados Unidos, a Fifa assume a responsabilidade de segurança de todas as seleções classificadas para a Copa do Mundo no país-sede, mesmo que esse país seja o de Donald Trump. A entidade esportiva também garante que todo torcedor que conseguir sua entrada para as partidas terá o direito de entrar no estádio, desde que ele não se meta em confusão. O que isso quer dizer? Que independentemente da nacionalidade do torcedor, se ele tiver ingresso e estiver regular no país-sede, ele poderá acompanhar o jogo escolhido do Mundial.

Chefe de Estados dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026: EUA, México e Canadá, com Infantino / Fifa

A proibição de manifestações políticas nas Copa do Mundo aparecem em alguns documentos da Fifa, entre eles no regulamento da Copa do Mundo e também no Código Disciplinar da entidade. Em seu artigo 4º e 13º, a Fifa proíbe mensagens, gestos, símbolos ou atos que tenham caráter político, ideológico ou religioso dentro das competições esportivas. O Código Disciplinar prevê punições quando há manifestações políticas em campo, uso de braçadeiras, camisetas ou faixas com mensagens políticas, exibição de bandeiras com conteúdo considerado político, discursos ou atos que possam “instrumentalizar” o evento. De modo que as punições podem ir de multa a suspensão de jogadores e federações. A pressão é grande e monitorada.

Discurso da Fifa

Gianni Infantino, presidente da Fifa, segue a cartilha da entidade deixada pelos seus antecessores sobre o assunto. Em cada discurso, há mensagens que enfatizam o princípio da neutralidade política. O discurso oficial prega que o futebol deve unir, não dividir. A entidade costuma dizer que o esporte deve permanecer “acima da política”. Recentemente, Infantino disse que já está na hora de a Rússia, em guerra com a Ucrânia, voltar ao futebol de clubes e de seleções. Ele disse que as crianças russas não podem pagar pelas ações políticas de seus chefes de Estado.

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Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, alguns capitães de seleções europeias queriam usar a braçadeira “One Love” em apoio à diversidade de gênero. A Fifa avisou que aplicaria cartão amarelo imediato a quem usasse a tarja. Ela considerava uma manifestação além do futebol, dessas que ela proibia. Então, os países recuaram. Naquele Mundial vencido pela Argentina, de Messi, também houve restrições a protestos ligados a direitos humanos e à política do país-sede.

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