Com os títulos da Supercopa e da Copa do Brasil como escudos, Dorival Júnior vestiu sua armadura e partiu para o contra-ataque. Não se escondeu diante da onda de críticas que ganhou força após seis jogos sem vitórias no Corinthians. Ainda no vestiário da Arena Condá, depois do empate sem gols com a Chapecoense, o treinador fez o movimento que poucos fazem no futebol brasileiro: bateu no peito e respondeu cheio de razão.
Em sua defesa, o técnico rechaçou críticas, relativizou resultados e disse confiar no próprio trabalho. Dono de si, garantiu conhecer o caminho para recolocar o Corinthians nos trilhos. Foi além. Deixou escapar a leitura de que há, sim, um ambiente contaminado fora de campo, uma tentativa de desgaste alimentada por comparações inevitáveis — e inconvenientes — com Tite, transformado mais uma vez em fantasma de ocasião. Dorival tem o direito de se defender. E, em alguns pontos, até tem razão.

O calendário sufoca, a pré-temporada foi inexistente, as lesões atrapalham e o controle de carga virou prática quase obrigatória num futebol que exige cada vez mais do corpo dos jogadores. Nada disso é invenção. Tudo pesa. Tudo interfere. O problema começa quando a defesa vira negação.
O campo fala
Porque há, sim, deficiências claras. Visíveis. Repetidas. Não é uma narrativa externa tentando minar o trabalho — é o campo falando. E o campo tem mostrado um time previsível, lento na circulação, pouco agressivo quando tem a bola e, sobretudo, incapaz de transformar posse em perigo real. A insistência na saída curta, com trocas intermináveis entre zagueiros e recuos constantes para Hugo Souza, já deixou de ser estratégia para se tornar sintoma. Falta de repertório, não de coragem. O Corinthians gira, gira e quase nunca fere. E o torcedor percebe — talvez antes de qualquer análise mais sofisticada.

Há também o desgaste de um discurso que começa a soar reciclado. A ideia de que o time joga bem e perde por detalhes não é nova. Foi usada no passado recente e terminou da pior forma possível: com o clube flertando perigosamente com a zona de rebaixamento. Sete rodadas depois, a sensação de déjà vu incomoda — e assusta.
Time sem identidade
Dorival não precisa abrir mão de suas convicções, mas precisa ajustá-las. O time pede mais intensidade, mais verticalidade, mais clareza — especialmente contra adversários que se fecham e entregam a bola, como aconteceu diante de Coritiba, Santos e a própria Chapecoense. Ter a posse não pode ser um fim em si mesmo e passa a ser defeito quando o time não pisa na área adversária.
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O revezamento constante também cobra seu preço. Em nome da gestão física, o time perde identidade, ritmo e entrosamento. E, ironicamente, o calendário agora oferece aquilo que antes faltava: tempo. A pausa da data-Fifa abre uma janela rara para treinar, corrigir, ajustar. Não há mais para onde correr. O empate em Chapecó empurrou a pressão para um cenário ainda mais sensível: o duelo com o Flamengo, em casa. E aí o discurso já não será suficiente. Porque no futebol brasileiro, toda reação precisa de validação imediata.





