O clássico no Morumbis não foi apenas mais um capítulo da rivalidade entre São Paulo e Palmeiras. Foi, acima de tudo, a reafirmação de um padrão. Um jeito de jogar, competir e vencer que já não surpreende mais – apenas se repete, com uma consistência que virou marca registrada do Palmeiras de Abel Ferreira. O time ganhou por 1 a 0 dentro do Morumbis e aumentou a sequência sem perder para o rival: agora são 12 jogos.

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Líder mais uma vez, com 19 pontos em oito rodadas, o Palmeiras fez o que faz há anos. Entrou em campo com a concentração de quem sabe exatamente onde quer chegar e como chegar. A ideia é clara: começar em alta rotação, buscar o gol cedo e, a partir da vantagem, conduzir o jogo à sua maneira. E isso necessariamente não se trata de dominar a posse de bola ou sufocar territorialmente o adversário. O que vale é administrar a vantagem e esperar um erro do rival para matar o jogo.

Colombiano Jhon Arias fez o gol da vitória palmeirense logo aos 6 minutos do 1º tempo: time foi consistente  / Palmeiras

E o gol que abriu o caminho é a síntese perfeita desse time. Não foi obra do acaso, nunca é. Foi efeito direto de um plano de jogo desenhado no vestiário. Um lance que nasce de uma leitura refinada de Flaco López, que, de costas, encontra uma inversão precisa para o lado oposto, onde Arias e Piquerez estavam livres. Arias, aliás, com apenas um mês de clube e já com dois gols, começa a justificar o investimento pesado de R$ 155 milhões. Ele dominou, atacou o espaço e finalizou com precisão, no canto de Rafael. Gol de almanaque – e de manual. Só 6 minutos de jogo e o caminho estava aberto para a repetição do enredo de sempre.

Roteiro bem conhecido

A partir daí, o roteiro foi familiar aos torcedores palmeirenses. E desesperador para os 55 mil são-paulinos que lotaram o estádio e esperavam uma virada. O Palmeiras não se incomoda em ceder a bola. Aceita a pressão, recua suas linhas, defende com resignação e espera o momento de agredir. Foi assim aos 29, quando Giay roubou a bola e lançou Allan nas costas da defesa. Faltou objetividade ao garoto, que preferiu o drible ao chute e perdeu o ângulo. Poderia ter matado o jogo ali.

Do outro lado, o São Paulo demorou a dar as caras de um time que estava brigando pela liderança. Seu primeiro chute a gol veio apenas aos 39 minutos, quando Calleri lutou pela bola e serviu Luciano, que finalizou sem perigo para Carlos Miguel. Muito pouco para quem disputava a liderança do Brasileirão.

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Há um gesto que resume bem a noite. Após o gol, Abel olha para Gustavo Gómez e, com as mãos, pede “cabeça fria”. É o comando silencioso de quem sabe que o jogo, para o Palmeiras, começa a ser vencido quando passa a ser controlado emocionalmente. O 2º tempo não alterou a essência. Mesmo com as entradas de Arboleda, Wendell e Tapia, o São Paulo manteve a posse, mas não conseguiu transformar volume em perigo real. O Palmeiras, por sua vez, seguiu fiel à preleção, com disciplina, concentração e compromisso absoluto com o resultado.

Abel sendo Abel

Agora são 12 jogos sem perder para o São Paulo desde 2023. Números que não nascem do acaso, mas de um trabalho que se sustenta no tempo. Mas nem tudo é virtude nesse reinado. Para completar a vitória com DNA palmeirense, não faltou outra cena já conhecida e esperada: a expulsão de Abel – a 14ª desde que chegou ao futebol brasileiro. Um treinador brilhante, talvez o melhor em atividade no país, mas que insiste em flertar com o descontrole. Reclama de tudo. Do lateral ao contato mínimo. Já prometeu mudar, já reconheceu excessos, mas segue sendo um profissional que não respeita as decisões dos árbitros.

Abel Ferreira esbravejou muitas vezes durante o Choque-Rei, até ser expulso corretamente por Daronco / Palmeiras

Curiosamente, dias atrás, Leila Pereira disse que “os homens são muito histéricos” ao reclamar da arbitragem. Esqueceu apenas de acrescentar que o maior expoente dessa histeria veste verde e comanda o seu time à beira do campo. O Palmeiras segue líder, sólido e confiável como poucos. Um time que sabe exatamente o que faz. E um técnico que, no mesmo compasso em que constrói uma obra consistente, ainda precisa aprender a não sabotá-la com o próprio comportamento. Segue o líder!

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