Carlo Ancelotti mandou um recado bastante claro para o torcedor brasileiro: a seleção tem dono — e as decisões passam exclusivamente por ele. Nem o barulho em torno de Neymar nem o “clamor popular” parecem capazes de interferir no roteiro traçado pelo treinador italiano às vésperas da Copa do Mundo. Ele também deixou claro que o seu trabalho não começou hoje. Antes mesmo de aceitar o convite da CBF, feito primeiramente pelo presidente Ednaldo Rodrigues e depois por Samir Xaud, o italiano já tinha um caminho traçado para o único time pentacampeão do mundo.
Sereno, experiente e blindado pela própria trajetória, Ancelotti não fugiu de nenhum tema em sua entrevista antes da partida contra a França desta quinta-feira, em Boston. Pelo contrário. O treinador encarou de peito aberto os questionamentos sobre o camisa 10 do Santos, mas tratou de colocar cada coisa no seu devido lugar. “Vejo tudo, escuto tudo”, disse, antes de reforçar o ponto central do seu trabalho: decidir. No universo subjetivo do futebol — onde opinião vira manchete e pressão vira narrativa —, o técnico deixou claro que não trabalha por impulso. Trabalha por convicção. E hoje, a convicção de Ancelotti passa longe de Neymar.

O atacante, que voltou ao futebol brasileiro com o projeto de reconstruir sua imagem e condição física, ainda não conseguiu convencer nem os santistas o que dirá os brasileiros de modo geral. Fora das listas desde a chegada do italiano, Neymar entra na reta final antes da Copa como uma incógnita — talvez a maior delas. Não por falta de talento, algo que o próprio treinador nunca questionou, mas por não entregar o que hoje é inegociável na seleção: intensidade, sequência e condição física.
Brasil vai atacar a França
Enquanto o debate gira em torno de um nome, Ancelotti pensa no todo. Contra a França, em amistoso que carregava peso de teste real, mas enfraqueceu por causa das ausências por contusões de uma série de atletas, o treinador deve manter sua ideia mais ousada: um Brasil com quatro jogadores ofensivos. Um time agressivo, mas que precisa encontrar equilíbrio — palavra que ele repete como um mantra. Como bom italiano, Ancelotti sabe e valoriza a defesa e o meio de campo marcador do Brasil. Não é à toa que Casemiro goza de sua total confiança. O recado é direto: atacar, sim. Mas sem se desorganizar.
Do outro lado, há um adversário que foi vice-campeão do mundo no Catar, em 2022. Ancelotti conhece bem esse perigo, especialmente quando ele atende pelo nome de Mbappé. Ex-comandado no Real Madrid, o atacante francês é tratado como prioridade máxima no plano defensivo brasileiro. “É rápido, decisivo, letal”, resumiu o treinador.
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Sem Marquinhos, preservado por problema físico, a defesa terá Léo Pereira como referência, ao lado dos laterais Wesley e Douglas Santos. Uma linha montada para suportar o que promete ser um teste de alto nível. No fim, o cenário é claro: a seleção entra em campo para muito mais do que um simples amistoso. Entra para consolidar uma ideia. Mas e Neymar? Neste momento, corre por fora. No futebol de Ancelotti, nome não ganha jogo. Quem joga — e aguenta jogar — é que fica.
IA com informações e edição do The Football.





