A derrota do Brasil para a França em Boston não mudou o discurso otimista de Carlo Ancelotti — e talvez tenha reforçado ainda mais algumas de suas convicções. O treinador deixou o campo com mais certezas do que dúvidas. E isso, às vésperas da Copa do Mundo, vale mais do que o resultado, embora ele estivesse mais “nervoso” do que de costume. O treinador aparentou irritação com uma pergunta sobre Neymar.

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Apesar do placar foi adverso, com derrota por 2 a 1, a leitura de jogo e do comportamento de seus jogadores não sofreu alteração. Para Ancelotti, o amistoso serviu como uma espécie de termômetro de elite do futebol. E a resposta do Brasil foi positiva, mesmo perdendo o jogo. A seleção, segundo ele, mostrou que pode encarar qualquer adversário do mundo no mesmo nível. Não como coadjuvante, mas como protagonista. “Podemos competir com os melhores”, resumiu sem rodeios.

Bremer marcou o gol de honra do Brasil na derrota por 2 a 1 para a França em Boston: treinador gostou do time / CBF

Suas declarações assustam, porque o Brasil não jogou nada, não acertou o gol como se esperava nem trabalhou a bola quando esteve com um jogador a mais. A seleção produziu pouco e só melhorou no fim do segundo tempo, quando fez o seu gol e quase empatou. Mas foi envolvida pela qualidade e entrosamento dos franceses. O torcedor brasileiro sabe que o time pode encarar qualquer no Mundial.

Mas é preciso ganhar dos grandes

A dúvida é se a equipe consegue vencer os “grandes” da Copa, como a França, vice-campeã de 2022. Pelo que jogou nesta quinta, o torcedor ficou com muita dúvida, principalmente porque faltam dois meses para a Copa.

Jogamos contra uma equipe muito forte, que tem muita qualidade. Estou convencido de que vamos brigar pelo título da Copa do Mundo com toda a nossa energia. Não tenho nenhuma dúvida. O jogo mostrou muito claramente para mim que podemos competir com os melhores do mundo. CARLO ANCELOTTI

Mas não é uma frase solta do treinador. É um posicionamento claro. Ancelotti enxergou na atuação do Brasil uma equipe capaz de sustentar intensidade, ter organização e personalidade contra um dos elencos mais fortes do futebol mundial. Mais do que isso: viu um grupo que começa a ganhar forma definitiva. Para ele, o amistoso não pode ser avaliado somente pelo resultado. O treinador está certo. O problema é que nem todos viram na apresentação o que ele viu.

Novatos aprovados

O italiano também gostou dos “novatos” que trouxe para o elenco. Disse que eles aproveitaram o palco. Léo Pereira, Igor Thiago e Danilo entraram bem e reforçaram a ideia de elenco competitivo. Gabriel Sara e Ibañez também cumpriram seus papéis sem comprometer. O grupo cresce — e, com ele, a dificuldade de cortar nomes. Sua lista com os 26 será divugada no dia 18 de maio.

Gostei dos novatos que jogaram hoje. Léo Pereira, Igor Thiago e Danilo entraram muito bem. Gabriel Sara e Ibañez tiveram seu papel. Estou muito mais confiante. Não vai ser tão fácil para mim escolher a lista final. ANCELOTTI

Ancelotti sabe disso. E não esconde também a sua ansiedade pela escolha. A lista já não é mais um rascunho. É praticamente uma decisão. Por ora e pelas respostas sobre Neymar, não cabe mais nenhum nome. Ancelotti não demonstrou nenhum desejo de acrescentar jogador com o qual ele nunca trabalhou desde que chegou. Nesta quinta, o presidente da CBF, Samir Saud, também disse ao SporTV que fica sabendo da lista dos jogadores convocados dez minutos antes de ela ser apresentada e não interfere em nada. “Confio plenamente na comissao técnica”.

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Entre os protagonistas, Raphinha e Vinícius Júnior passaram longe do brilho que exibem em seus respectivos clubes. Ainda assim, não preocuparam o treinador italiano. Pelo contrário. Foram valorizados pelo trabalho tático, pela movimentação e pela capacidade de gerar perigo — mesmo sem o gol em Boston. Porque, no modelo de Ancelotti, nem tudo se resume ao último toque.

Agora temos que falar dos que estão aqui, dos que jogaram, que deram tudo em campo. Estou satisfeito.
ANCELOTTI

E Neymar? Questionado novamente sobre o atacante do Santos, que nunca foi convicado por ele, o treinador preferiu ignorar o debate. Mas não por acaso. É uma escolha clara: falar de quem está dentro, de quem entrega, de quem sustenta o plano da seleção brasileira. O recado já havia sido dado antes. E segue valendo. Agora, o foco muda para o próximo teste, contra a Croácia, em Orlando. É mais um passo na construção de um time que não quer apenas jogar a Copa. Quer chegar para ganhar. E, pelo que somente Ancelotti viu em Boston, esse caminho já começou a ser pavimentado. Tomara ele esteja certo. O torcedor ficou com muitas dúvidas.

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