O cenário no Palmeiras é um roteiro conhecido, mas com novos capítulos de tensão. Abel Ferreira, o homem que transformou o Palmeiras em uma dinastia, agora enfrenta um “gelo” forçado de sete partidas imposto pelo STJD. No entanto, quem esperava um treinador explosivo na coletiva pós-vitória contra o Sporting Cristal (2 a 1), pela Libertadores, encontrou um estrategista que escolheu as palavras como quem escolhe um substituto para o jogo: com precisão e uma pitada de ironia.
Abel não quis dar manchete aos auditores do tribunal que o condenou nesta semana pelas duas últimas expulsões das 14 que teve no Brasil. Ao ser questionado sobre a pena, ele não atacou, mas também não se curvou. “Acompanhei todo o julgamento. Vou guardar a minha opinião”, disse, em um silêncio que ecoou mais alto do que qualquer reclamação costumeira do treinador português nas coletivas.

Para Abel, o foco é a resiliência. Sua, do time e do clube. “Minha equipe está muito bem treinada, tem controle emocional absoluto, é super resiliente. É o espelho do treinador: jamais desistir, contra tudo e contra todos.” Essa narrativa do “nós contra eles” continua sendo o combustível que mantém o Palmeiras no topo e o seu treinador ativo, mesmo quando o futebol não é plástico nem dos melhores, como foi nesta noite.
Vitória suada contra o Cristal
O jogo contra o Sporting Cristal foi exatamente isso: uma batalha onde o Palmeiras “deu crença” ao adversário, mas soube retomar as rédeas no intervalo e ganhar os três pontos. “Fico feliz por ter metido o Arthur na hora que meti, e ele sofreu o pênalti. E fico feliz pelo meu capitão falar para o árbitro ver no VAR, porque era um lance claríssimo”, disse.
Abel ainda carrega as cicatrizes do clássico com o Corinthians. Mas também não se “descontrolou” ao comentar o que não pôde no fim de semana. Ele não esquece os parcos nove minutos de tempo útil após a última expulsão em Itaquera, a segundo do adversário, quando faltavam 22 minutos para o fim. Para o português, falta consistência aos adversários e critério à arbitragem. Ele lembrou de uma suspensão de Mayke há dois anos para questionar por que entradas violentas contra o seu time não recebem o mesmo rigor. É o velho Abel de sempre em alguns minutos da entrevista. Não se discute a pena.
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O Athletico Paranaense é o próximo rival. Abel terá de ser o “treinador imaginário”, como ele mesmo se definiu. “Sou muito bom em imaginar e fazer o que imagino. O Palmeiras de 2026 é um time que já aprendeu a respirar sem o seu criador à beira do gramado. A punição do STJD vai tirar Abel do banco, mas não tira o “espírito de Abel” de dentro de campo. A resiliência que ele tanto prega é, hoje, a maior virtude de um time que se recusa a perder o trono, não importa o tamanho da crise a ser administrada.





