Depois de 136 minutos — os 90 do jogo contra o Vitória e praticamente todo o primeiro tempo desta terça-feira —, o Corinthians, enfim, deu um chute a gol. E veja só que ironia: a bola entrou. Foi assim, numa raríssima conclusão, que Jesse Lingard abriu o placar aos 46 minutos do primeiro tempo contra o modesto Barra FC, em Florianópolis, na estreia do Timão na Copa do Brasil.

Tudo sobre o Corinthians

Atual campeão do torneio, o Corinthians foi a campo com apenas dois titulares — Matheuzinho e Gustavo Henrique — e teve mais dificuldade do que o esperado para superar um adversário que disputa a Série C do Brasileiro. Para se ter uma ideia do abismo que separa a história dos dois clubes no cenário nacional, este era o jogo de número 200 do Corinthians na Copa do Brasil. E apenas o terceiro do Barra, que, nos dois anteriores, empatou por 0 a 0 e avançou nos pênaltis.

Lingard marcou o seu primeiro gol com a camisa do Corinthians: 1 a 0 diante do Barra-SC pela Copa do Brasil / Corinthians

O Corinthians não fez um jogo de arrancar suspiros da Fiel. Não só pelos desfalques, mas também pela falta de intensidade que a equipe insiste em repetir a cada jogo. Além de reviver, em certa medida, o drama que Dorival Júnior enfrentava quando não podia ou não queria escalar o time titular, Fernando Diniz ainda não conseguiu fazer a equipe sustentar um padrão alto de intensidade.

Quase duas sem chutar a gol

O time confunde cadência com preguiça e, em alguns momentos, chega a irritar a torcida, permitindo inclusive que um adversário tão inferior domine o andamento do jogo. Falta pegada na marcação e velocidade na construção ofensiva. Tanto que a equipe passou quase duas horas sem dar um único chute a gol.

A jogada do gol de Lingard — o primeiro do craque inglês com a camisa corintiana — nasceu, como tem sido recorrente, de uma bola parada. Numa falta cobrada da intermediária por Matheuzinho, Pedro Raul fez o pivô de cabeça para o centro da área, e a bola sobrou limpa para o gringo, que demonstrou apuro técnico ao emendar de sem-pulo para o fundo da rede. Um alívio para quem já parecia resignado a terminar mais uma etapa no zero.

Volta em Itaquera

O segundo tempo foi mais tranquilo para o Corinthians. O Barra se viu diante do dilema de atacar e correr o risco de sofrer mais gols, comprometendo de vez o plano de se manter vivo para o jogo de volta em Itaquera. E o Corinthians, dentro de suas limitações, controlou o ritmo. A vantagem mínima parecia suficiente. Com isso, Diniz pôde mexer na equipe sem pressão, rodar o elenco e deixar o tempo passar sem sustos até o apito final.

A se lamentar apenas a contusão do garoto Kaike, que fazia seu quinto jogo seguido sob o comando de Diniz e saiu logo no início com suspeita de lesão ligamentar no joelho esquerdo. Chorando ao deixar o campo, o jovem parecia ter plena consciência de que sua trajetória ascendente pode sofrer uma interrupção dura e inesperada. Este foi o quinto jogo de Diniz em apenas 12 dias de trabalho. O resultado em Florianópolis diz mais sobre consistência defensiva do que sobre produção coletiva. O dado realmente positivo é o quinto jogo consecutivo sem sofrer gols. A maratona obrigou o treinador a poupar peças importantes pensando no duelo com o Vasco, no fim de semana, pelo Brasileirão.

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Tão importante quanto estrear com vitória na Copa do Brasil é encerrar a incômoda presença na zona de rebaixamento do campeonato nacional. Por isso, mais do que nunca, vencer o Vasco deixou de ser objetivo e virou obrigação.

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