São Paulo e Millonarios deveriam ser proibidos de entrar em campo no mesmo dia em que Paris Saint-Germain e Bayern de Munique protagonizam um daqueles jogos que justificam a própria existência do futebol. O alucinante 5 a 4 em Paris resgatou a arte do jogo em sua forma mais pura — intensa, imprevisível, tecnicamente exuberante. No polo oposto desse espetáculo, o empate sem gols em Bogotá foi um lembrete incômodo de outra realidade.

Um 0 a 0 que não apenas explica o que foi a partida, mas expõe com certa crueldade o abismo que hoje separa o futebol praticado na Europa daquele que ainda tentamos sustentar na América do Sul. Colocados lado a lado, parecia mesmo que se tratavam de esportes diferentes.

Tudo sobre o São Paulo 

Menos mal para o São Paulo porque o resultado cumpre sua função prática. O empate fora de casa, ainda mais na altitude e na sempre traiçoeira Bogotá, mantém o time de Roger Machado na liderança do Grupo C da Sul-Americana, agora com sete pontos. Não é pouca coisa. Empatar longe de casa, nesse tipo de competição, costuma ser um bom negócio — e neste contexto, é. O problema é que o futebol não vive só de matemática, e o que se viu no Estádio El Campín passou longe de justificar qualquer otimismo mais empolgado.

Roger Machado não levou sete jogadores para a Colômbia, como Luciano e Calleri, para o jogo com o Millonarios / SPFC

Porque, convenhamos, como rendimento foi um fiasco. A atuação pobre tecnicamente deve, é verdade, ser analisada dentro de um contexto. Pensando no desgaste da temporada e já projetando a rodada do fim de semana pelo Brasileirão, Roger optou por preservar nomes importantes como Rafael Tolói, Lucas Ramon, Danielzinho, Artur, Luciano e Calleri.

Garotos da Cotia

Em contrapartida, abriu espaço para o novo — e isso também conta. As estreias dos jovens Djhordney e Nicolas, crias de Cotia, deram ao jogo um subtexto interessante. O goleiro Carlos Coronel, contratado em janeiro após uma longa passagem pelo exterior, também fez seu primeiro jogo com a camisa tricolor. Ainda assim, mesmo considerando o caráter alternativo da escalação, faltou quase tudo, sobretudo agressividade.

Garotos de Cotia do São Paulo ganham oportunidade com Roger Machado na Sul-Americana / SPFC

No primeiro tempo, o São Paulo até ensaiou alguma coisa. O atacante Tápia teve duas oportunidades em profundidade, ambas desperdiçadas com finalizações sem perigo. A melhor chance veio na bola parada: aos 19 minutos, Cauly cobrou escanteio, André Silva subiu bem e acertou o travessão. No rebote, a defesa colombiana salvou praticamente em cima da linha. Foi pouco — e seria praticamente tudo.

Jogo arrastado

Depois disso, o jogo se arrastou. O Millonarios tentou assumir o controle territorial, ainda que sem grande lucidez. Teve mais volume, rondou a área, mas acumulou tentativas frustradas. A melhor oportunidade veio já nos acréscimos num chute por cima da trave. Nada que alterasse o destino inevitável da partida: 0 a 0 e nada mais.

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No histórico, o empate pouco muda a escrita irregular do São Paulo no El Campín — agora são dez jogos com apenas uma vitória. Também não apaga o incômodo de relembrar 2007, quando o mesmo Millonarios eliminou o Tricolor na Sul-Americana. Mas, no presente, a classificação está bem encaminhada. E isso, no fim das contas, pesa. Resta saber até que ponto esse tipo de atuação pode ser tratado apenas como consequência de um risco calculado do treinador. Porque, se o resultado foi aceitável, a falta de brilho vai alimentar a fogueira em que arde Roger Machado, vaiado até quando ganha.

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