O São Paulo tem seguros para os seus jogadores. Inclusive para Lucas. Todos os clubes se valem dessa condição para os atletas, de modo a não ter de colocar a mão no bolso em caso de contusão. A Fifa tem seguro para jogadores na Copa do Mundo, assim como a CBF, para os jogos amistosos e das Eliminatórias do Brasil. Trata-se de um procedimento normal e natural. Digo isso porque ouvi são-paulino dizendo que “Lucas não vale o custo-benefício e que agora o clube terá mais gastos com o atacante”.
Esse imediatismo dos torcedores é ridículo. Lucas tem a cara do São Paulo, nasceu no clube e tem muito carinho pelas cores do Morumbi. É claro que isso não basta. Mas é inegável que ele não tem culpa nenhuma nas contusões que sofre. Ele voltou neste domingo de uma parada de seis semanas depois de fraturar duas costelas. Voltou e machucou involuntariamente no jogo com o Bahia. Passou por uma cirurgia nesta segunda-feira após ruptura completa do tendão calcâneo da perna direita.

O seguro para jogadores de futebol é obrigatório no Brasil, de acordo com a Lei Pelé. Ele é justamente para proteger os clubes e até os jogadores contra lesões, invalidez e até morte durante a atividade esportiva. Os atletas assinam esses seguros a cada renovação de contrato. A apólice cobre despesas médicas, hospitalares e odontológicas. Mas é o clube o maior beneficiado do seguro. Basta olhar o balanço dos clubes para reparar que não há gastos com atletas lesionados por mais de um mês. No caso de Lucas, ele não deverá atuar mais nesta temporada. Seu contrato será pago até dezembro pela seguradora.
CBF e Fifa têm seguros para atletas
Há seguros no futebol que protegem, inclusive, a família do atleta. O Programa de Proteção dos Clubes da Fifa cobre lesões que afastam jogadores por mais de 28 dias de suas atividades. Há um teto de gasto de 7,5 milhões de euros por ano. Os clubes fazem exigências também aos seus jogadores. O Palmeiras tinha uma cláusula nos tempos do goleiro Marcos em que o impedia de pilotar motos. Era um jeito de preservar o atleta do risco de cair e se arrebentar no asfalto.
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Os clubes estabelecem um contrato padrão, com características individuais. Cada jogador tem um salário e direitos de imagens, portanto valores diferentes para o goleiro ao atacante. As apólices são negociadas caso a caso. Há, no entanto, um teto a ser pago. Geralmente, esse valor é suficiente para cobrir as despesas do jogador a cada mês que ele permanecer impossibilitado. A Lei 9.615/1998, conhecida como Lei Pelé ou Lei do Passe Livre, estabelece normas sobre diversos aspectos do esporte no Brasil. Em 2011, a Lei Pelé foi modificada pela Lei 12.395/2011, que determina que todos os clubes de futebol profissional devem contratar seguros de vida e acidentes pessoais para seus jogadores.

O que diz a lei – Artigo 45
As entidades de prática desportiva são obrigadas a contratar seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que eles estão sujeitos.
§ 1º A importância segurada deve garantir ao atleta profissional, ou ao beneficiário por ele indicado no contrato de seguro, o direito a indenização mínima correspondente ao valor anual da remuneração pactuada.
§ 2º A entidade de prática desportiva é responsável pelas despesas médico-hospitalares e de medicamentos necessários ao restabelecimento do atleta enquanto a seguradora não fizer o pagamento da indenização a que se refere o § 1o deste artigo.
O São Paulo vai pagar todos os gastos médicos e os salários do jogador enquanto ele permanecer no clube. O clube também não pode romper o contrato de um atleta machucado, com pena de multa e condenação na Justiça. Os clubes recebem compensação financeira das seguradoras. Se o clube não tiver o seguro, ele assumirá os gastos e o contrato do atleta até a sua recuperação.
Nota sobre a cirurgia de Lucas
Lucas sofreu a lesão durante a partida contra o Bahia, disputada na tarde de domingo (03), no estádio Cícero de Souza Marques, pelo Campeonato Brasileiro. O jogo em Bragança Paulista marcava o retorno do jogador aos gramados depois de se recuperar de fraturas em duas costelas sofridas no dia 18 de março, durante o confronto com o Atlético-MG pelo Brasileirão.
Antes da lesão, Lucas havia participado de 16 dos 17 primeiros compromissos do Tricolor na temporada, sendo dez como titular, com três gols e uma assistência. Ao todo, o meia-atacante revelado em Cotia detém 239 jogos pelo São Paulo, com 59 gols e 36 assistências, além dos títulos da CONMEBOL Sul-Americana de 2012, da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa Rei de 2024.





