Didier Deschamps abre oficialmente a campanha da seleção francesa para a Copa do Mundo de 2026 com uma convocação que diz muito sobre o momento do elenco. A lista de 26 jogadores, anunciada nesta quinta-feira, com vídeo que mais parecia um curta cinematográfico, em horário nobre na TV, combina a base que levou a França à final do Mundial de 2022, remanescentes do título de 2018 e uma camada de novos nomes que ganhou espaço no ciclo mais recente.
A Federação Francesa de Futebol confirmou que o grupo se apresentará no Centro de Treinamento Clairefontaine, a partir de 29 de maio, antes da viagem para os Estados Unidos, onde o elenco ficará baseada em Boston.

Dessa maneira, o elenco chega ao torneio não apenas como uma seleção tradicionalmente forte, mas uma equipe que atravessou três ciclos mantendo competitividade real.
Campeã na Rússia, vice no Catar e atual número 1 do ranking da Fifa, o país voltou ao topo da lista em abril, pela primeira vez desde setembro de 2018. Espanha e Argentina aparecem logo atrás, o que reforça a percepção de equilíbrio entre as principais candidatas ao título.
Deschampz mantém espinha dorsal
Em suma, Deschamps não quis romper com a estrutura que o acompanha há anos. O camisa 10, Kylian Mbappé, que voltou a jogar nesta quinta-feira pelo Real Madrid, agora capitão e figura central do ataque, segue como eixo técnico e simbólico da seleção.
Ao lado dele, os veteranos Lucas Hernández e N’Golo Kanté mantêm ligação direta com a conquista de 2018. A princípio, o grupo tem dez jogadores que participaram da final da Copa de 2022, o que ajuda a explicar a escolha por um elenco acostumado ao peso de decisões internacionais.
Como consequência, essa continuidade, porém, não significa repetição automática. A lista também confirma mudanças relevantes no desenho da equipe. A defesa tem nomes consolidados, como Saliba, Konaté, Upamecano, Koundé e os irmãos, Théo e Lucas Hernández. No meio, Deschamps manteve Tchouaméni, Rabiot, Manu Koné, Kanté e Warren Zaïre-Emery, deixando claro que preferiu um setor mais enxuto e funcional.
Ataque abundante
O setor ofensivo é o ponto mais vistoso da convocação. A França levará Mbappé, Ousmane Dembélé, Bradley Barcola, Rayan Cherki, Désiré Doué, Maghnes Akliouche, Michael Olise, Marcus Thuram e Jean-Philippe Mateta. Portanto, é um grupo numeroso, diverso e com capacidade para oferecer variações de velocidade, condução, associação, profundidade e presença de área. A leitura é direta: Deschamps quer ter alternativas para mudar jogos sem depender de um único formato ofensivo.
Além disso, Dembélé carrega o peso de protagonista depois como vencedor da Bola de Ouro de 2025, enquanto Olise aparece como uma das peças em ascensão. Cherki, Doué, Barcola e Akliouche ampliam o repertório técnico da equipe, principalmente contra adversários fechados.

Escolhas duras
Nesse sentido, as ausências explicam tanto quanto as presenças. Eduardo Camavinga ficou fora depois de uma temporada difícil no Real Madrid, marcada por problemas físicos e perda de continuidade.
Deschamps reconheceu que a ausência seria uma frustração importante para o jogador, mas optou por outro equilíbrio no grupo. “Vilão” em 2022, Randal Kolo Muani, que perdeu gol cara a cara com o goleiro Dibu Martínez, na final contra a Argentina, também ficou fora.
O atacante, presente em momentos importantes do ciclo anterior, perdeu terreno. Entretanto, a lesão de Hugo Ekitike, do Liverpool, que rompeu o tendão de Aquiles em abril, também mexeu com a composição ofensiva e abriu espaço para uma disputa final que terminou com vantagem para Mateta.
Apesar do ótimo desempenho com a camisa do Atlético de Madrid, o atacante Antoine Griezmann ficou de fora, mas não foi uma surpresa, pois teve poucas oportunidades neste ciclo.
A surpresa no gol
Entre os goleiros, Mike Maignan e Brice Samba eram nomes mais esperados. A novidade ficou por conta de Robin Risser, de 21 anos, chamado pela primeira vez para a seleção principal.
O goleiro do Lens ganhou espaço depois de uma temporada de forte rendimento no futebol francês. Segundo o Le Monde, ele fez 33 partidas, somou 11 jogos sem sofrer gols e registrou 70,9% de defesas, desempenho que o levou ao prêmio de melhor goleiro da Ligue 1.
A entrada de Risser também tem relação com o cenário de Lucas Chevalier, que perdeu terreno por causa de lesão e falta de sequência. Para Deschamps, a posição de terceiro goleiro não foi tratada como simples formalidade.
“Professor” faz último ato
Há ainda um componente de encerramento nesta convocação. A Copa de 2026 será a última de Deschamps no comando da França. Ele já havia confirmado que deixará o cargo ao fim do torneio, encerrando uma passagem iniciada em 2012 e marcada por uma final de Eurocopa, um título mundial e uma nova final de Copa.
Mais do que uma lista, portanto, a convocação representa a última tentativa de um ciclo que ajudou a recolocar a França no centro do futebol de seleções. Esse contexto muda o peso das escolhas.
Deschamps não está montando apenas um elenco para uma competição; está definindo o grupo que encerrará sua própria era. Por isso, cada ausência e cada convocação ganham leitura dupla: a necessidade imediata de vencer e o desejo de preservar uma identidade competitiva construída ao longo de 14 anos.
Caminho na luta do tri
Na primeira fase, a França estará no Grupo I, ao lado de Senegal, Iraque e Noruega. Antes da estreia, fará amistosos contra Costa do Marfim, em 4 de junho, e Irlanda do Norte, em 8 de junho.
A preparação será curta, mas suficiente para ajustar uma equipe que chega com poucas dúvidas estruturais e muitas alternativas no ataque. A convocação deixa uma mensagem clara: a França não chega à Copa de 2026 como seleção em reconstrução.
Chega como potência estabelecida, com elenco profundo, liderança definida e um técnico que conhece o peso de cada decisão em torneios curtos. De qualquer modo, o desafio será transformar abundância em funcionamento coletivo.
Em 2018, os Bleus encontraram esse ponto de equilíbrio e foram campeões. Em 2022, estiveram a uma disputa de pênaltis de repetir o feito. Em outras palavras, a França volta ao Mundial com a obrigação silenciosa que acompanha os grandes favoritos: jogar como quem sabe que apenas competir já não basta.

Apresentação digna de cinema
Por essa razão, a França não tratou a convocação como simples leitura de nomes. A divulgação dos 26 jogadores ganhou embalagem de produto audiovisual, com anúncio em horário nobre na TF1 e desdobramento em vídeos oficiais da Federação Francesa.
Logo, o principal deles, intitulado “26 jogadores, 1 equipe, 1 país”, seguiu a lógica de um comercial de televisão: menos explicação, mais pertencimento. Ademais, a mensagem buscou aproximar seleção e público em torno de uma ideia de unidade nacional às vésperas da Copa.
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Da mesma forma, a estratégia conversa com um ambiente favorável aos Bleus. Antes mesmo da lista, a TF1/LCI registrava confiança relevante entre os franceses, com maioria projetando a seleção pelo menos entre as semifinalistas.
Deschamps divulga 26 convocados
Goleiros
Mike Maignan — Milan, da Itália
Robin Risser — Lens, da França
Brice Samba — Rennes, da França
Defensores
Lucas Digne — Aston Villa, da Inglaterra
Malo Gusto — Chelsea, da Inglaterra
Lucas Hernández — Paris Saint-Germain, da França
Théo Hernández — Al-Hilal, da Arábia Saudita
Ibrahima Konaté — Liverpool, da Inglaterra
Jules Koundé — Barcelona, da Espanha
Maxence Lacroix — Crystal Palace, da Inglaterra
William Saliba — Arsenal, da Inglaterra
Dayot Upamecano — Bayern de Munique, da Alemanha
Meio-campistas
N’Golo Kanté — Fenerbahçe, da Turquia
Manu Koné — Roma, da Itália
Adrien Rabiot — Milan, da Itália
Aurélien Tchouaméni — Real Madrid, da Espanha
Warren Zaïre-Emery — Paris Saint-Germain, da França
Atacantes
Maghnes Akliouche — Monaco, da França
Bradley Barcola — Paris Saint-Germain, da França
Rayan Cherki — Manchester City, da Inglaterra
Ousmane Dembélé — Paris Saint-Germain, da França
Désiré Doué — Paris Saint-Germain, da França
Jean-Philippe Mateta — Crystal Palace, da Inglaterra
Kylian Mbappé — Real Madrid, da Espanha
Michael Olise — Bayern de Munique, da Alemanha
Marcus Thuram — Inter de Milão, da Itália





