O Paris Saint-Germain ampliou a supremacia local ao conquistar o 14º título do Campeonato Francês de sua história, o quinto consecutivo. A equipe venceu o Lens por 2 a 0 fora de casa nesta quarta-feira. Era questão de tempo. O PSG chegou a 76 pontos, e abriu nove em relação ao adversário, segundo colocado, na penúltima rodada da competição.
Enquanto o PSG confirma mais uma Ligue 1 e agora se prepara para tentar o bicampeonato da Liga dos Campeões, o ex-ídolo Kylian Mbappé, que deixou o clube frabcês para buscar a consagração no Real Madrid, está sob forte cobrança da torcida madridista, entre números individuais expressivos e ausência de títulos importantes.

Ao terminar a temporada 2023/2024, a saída de Mbappé do Paris Saint-Germain foi tratada como o fim de uma era e o início de um problema. O PSG perdeu seu maior artilheiro, sua figura mais midiática e o jogador em torno do qual construiu boa parte de sua identidade recente. Dois anos depois, o retrato é que futebol não pode ser resumido apenas a um jogador. Sem Mbappé, o PSG empilha títulos: ganhou a Liga dos Campeoões, na temporada 2024/2025, e voltou à final europeia. Em razão disso, com Mbappé, o Real Madrid ainda tenta transformar a contratação mais aguardada da década em uma grande conquista da temporada.
PSG é favorito contra o Arsenal
Mais do que manter a autoridade nacional, o PSG chega ao fim da temporada como bicho-papão e sendo apontado como favorito diante do inglês Arsenal na final da Liga dos Campeões, em Budapeste, na Hungria, no próximo dia 30. Em suma, a ironia esportiva está aí. Mbappé deixou o PSG em busca do ambiente ideal para conquistar o maior torneio de clubes do continente com o clube espanhol, que faturou a competição em 15 edições, e ampliar sua candidatura ao posto de principal jogador do mundo. Nada disso aconteceu, no entanto.
A primeira Liga dos Campeões depois de sua saída foi vencida pelo PSG, com uma goleada por 5 a 0 sobre a Inter de Milão na decisão de 2024/25. O clube, que tantas vezes pareceu refém de seus astros, encontrou sem o francês uma versão mais coletiva, menos dependente de uma figura central e mais ajustada às ideias de Luis Enrique. Ou seja, no PSG, a ausência de Mbappé deixou de ser apresentada como trauma. Em Madri, sua presença ainda não foi convertida naquilo que o clube espanhol mais cobra de seus grandes nomes: domínio competitivo.

Ausência de títulos de peso
De qualquer forma, isso não significa que Mbappé tenha sido um fracasso no Real Madrid. A leitura precisa ser mais cuidadosa. Ele já conquistou dois títulos oficiais pelo clube espanhol: a Supercopa da Uefa de 2024, contra a Atalanta, e a Copa Intercontinental de 2024, contra o Pachuca, do México. Também marcou nas duas decisões. São troféus relevantes, mas não aqueles que costumam definir uma era no Santiago Bernabéu.
No entanto, o que falta ao francês, até aqui, é vencer uma competição de maior peso na temporada: La Liga, Liga dos Campeões, Copa do Rei ou Supercopa da Espanha. Individualmente, Mbappé entrega. Em seu primeiro ciclo pelo Real, o próprio clube registrou 44 gols em 58 partidas, distribuídos por sete competições. Nesta segunda temporada, o artilheiro anotou 41 gols em 41 apresentações.
O problema é que, em Madri, estatística individual não basta. O Real mede seus protagonistas pela capacidade de transformar gols em supremacia. O português Cristiano Ronaldo virou parâmetro não apenas pelo volume ofensivo, mas porque seus números empurraram o clube a conquistas de Liga dos Campeões e LaLiga em jogos decisivos.
O peso das derrotas para o Barcelona
Enquanto isso, o Real Madrid acumula frustrações em jogos que pesam na leitura da temporada. O Barcelona venceu a Supercopa da Espanha de 2025 por 5 a 2, ganhou a Copa do Rei por 3 a 2 na prorrogação. Neste ano, confirmou o título de La Liga em um clássico com o próprio Real Madrid. Nesta partida, o francês, contundido, assistiu à derrocada no sofá da sua casa. Para um clube que se acostumou a se apresentar como referência máxima de competitividade, perder espaço para o maior rival torna a cobrança sobre Mbappé ainda mais intensa.

Crise com a torcida amplia desgaste
A temporada também expôs uma fissura crescente entre Mbappé e parte da torcida do Real Madrid. O ambiente no Santiago Bernabéu, tradicionalmente exigente com seus principais jogadores, tornou-se mais pesado à medida que os resultados do clube ficaram abaixo da expectativa. A cobrança, antes direcionada ao funcionamento coletivo da equipe, passou a atingir diretamente o atacante francês.
O sintoma mais ruidoso desse desgaste apareceu fora do estádio, nas redes e em plataformas digitais. Por consequência, nasceu o chamado movimento “Mbappé Out (Mbappé fora)”, com uma petição online pedindo a saída do atacante. Dessa maneira, ganhou repercussão internacional ao atingir números de milhões de assinaturas, embora a autenticidade integral desses apoios seja difícil de verificar em ambientes digitais abertos.
Ainda assim, o episódio revelou algo importante do ponto de vista simbólico. Ou seja, parte da torcida madridista deixou de tratar Mbappé como solução e passou a vê-lo como um dos elementos da crise esportiva do clube. As vaias no Bernabéu completaram esse quadro. Mbappé admitiu que compreendia a irritação dos torcedores diante do momento ruim. Mas criticou a personalização da culpa em jogadores específicos.
Contusão e viagem polêmica
Outra controvérsia aconteceu neste período de recuperação de Mbappé de uma lesão na coxa esquerda. O francês se lesionou no empate por 1 a 1 entre Real Madrid e Betis, pela La Liga. No fim de semana dos dias 2 e 3, o atacante se divertiu na Sardenha, na Itália, ao lado da atriz espanhola Ester Expósito. As imagens divulgadas pela imprensa espanhola foram interpretadas por parte da torcida como sinal de desconexão com o momento do Real Madrid.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Como consequência, o incômodo aumentou porque, segundo a imprensa espanhola, o francês retornou a Madri poucos minutos antes de uma partida contra o Espanyol. O entorno do jogador reagiu dizendo que as críticas eram uma “interpretação excessiva” e que todo o processo de recuperação estava sendo conduzido sob supervisão do clube. Ainda assim, o episódio reforçou a percepção de desgaste: mesmo autorizado a descansar, Mbappé passou a ser cobrado não apenas pelo que entrega em campo, mas também pelos gestos públicos em uma fase na qual o madridismo esperava maior demonstração de comprometimento.





