Cabelos loiros longos e desalinhados no padrão da sua época. Olhos azuis e carrões envenenados. Dentro de campo, o drible curto era sua especialidade. E marcar gols, muitos gols. O atacante Horacio Narciso Doval (1944-1991) foi “o mais carioca dos argentinos” no futebol brasileiro. Ele é até hoje o segundo maior artilheiro estrangeiro da história do Flamengo, onde conquistou dois títulos estaduais. A trajetória deste ícone rubro-negro, que também brilhou no Fluminense, está agora no documentário de longa-metragem “Doval: o Gringo Mais Carioca”, dos cineastas Sérgio Rossini e Federico Bardini.

Virou documentário: trajetória do atacante Doval, que atuou por Flamengo e Fluminense, é tema de filme / Fluminense

A obra aborda a trajetória de um personagem único que marcou sua passagem pelo futebol carioca na década de 1970. Doval atuou no Flamengo por duas passagens, entre 1969 e 1975. Sua atuação mais importante foi na conquista do Cariocão de 1972, quando marcou o gol de cabeça na decisão contra o Fluminense. Havia 136 mil pessoas no Maracanã. Fora de campo, o argentino era conhecido como frequentador da Zona Sul carioca e de inúmeras conquistas amorosas.

Bastante articulado, Doval foi um dos primeiros jogadores estrangeiros a se deslumbrar com a massa rubro-negra no Maracanã. “Eu tremi nas bases. Fiquei bobo. Nunca tinha ouvido 100 mil pessoas gritando o meu nome. Nunca mais vou esquecer aquele dia”, declarou ele na época.

Passagem no Flu

Em 1976, Doval mudou de time no Rio de Janeiro. Foi defender o Fluminense e conseguiu um ótimo entrosamento com Rivellino no time conhecido como “Máquina Tricolor”. O argentino foi o artilheiro do Estadual, vencido pelo Flu na decisão contra o Vasco do grande Roberto Dinamite. Ele permaneceu três anos no clube das Laranjeiras e se tornou o terceiro maior artilheiro estrangeiro da história do Tricolor carioca.

Campeão mundial com a seleção na Copa de 1970, Rivellino foi um dos entrevistados do documentário / Bardini Prod.

O documentário de 82 minutos registra a vida pessoal e profissional de um jogador amado no Rio numa época em que poucos estrangeiros se firmavam no futebol brasileiro. O filme passou na última edição do Cinefoot – Festival de Cinema de Futebol e, segundo seus realizadores, logo estará disponível no streaming.

The Football conversou com o cineasta Federico Badini, um dos diretores de “Doval: o Gringo Mais Carioca”.

The Football: Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre um personagem especial e argentino como o Doval?

Federico Badini: Surgiu em conversas com meu sócio e co-diretor Sérgio Rossini. Estávamos procurando um assunto que mostrasse a amizade entre Brasil e Argentina. Nosso objetivo sempre foi criar pontes entre os dois países. Encontramos em Doval um personagem único, que foi idolatrado nos dois países e que teve uma vida de filme no Brasil.

A passagem dele no Brasil foi mais marcante no Flamengo ou no Fluminense?

No Flamengo, ele ficou mais tempo, jogou mais e fez mais gols. Mas no Fluminense, deixou sua marca e também ganhou títulos. É lembrado até hoje nas Laranjeiras porque esteve num dos times históricos do Flu, a Máquina Tricolor, com outros craques de nível de seleção, como Rivellino, Búfalo Gil, Rodrigues Neto, entre outros.

Fora de campos, Doval ficou conhecido por uma intensa vida noturna no Rio de Janeiro / Bardini Produções

Quais as características dele que mais marcaram na época?

EEle ea um jogador moderno já na década de 1970. Doval era um centroavante de origem que podia jogar em todas as posições do ataque. Ele atuou como ponta, armador, segundo atacante e também jogando no que hoje chamam de “falso 9”.

Quais foram os entrevistados para o filme e quando ele deve estrear?

Zico, Rivellino, Hector “Bambino” Veira, Ubaldo Fillol, Alberto Rendo, Búfalo Gil, Ivair Ferreira, Afonsinho, Jayme de Almeida, Germán Cano, Marcos Valle, Cherquis Bialo, Victor Biglione… O documentário estreia em agosto em alguma plataforma de streaming brasileira.

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