Por Almir Leite
A diretoria do Fluminense iniciou a temporada negociando com Hulk. Um dos principais problemas do time no ano anterior foi a dificuldade para fazer gols. Germán Cano está no ocaso da carreira, e ainda por cima é perseguido por contusões que o impedem de ser eficiente como em seus primeiros anos no clube. John Kennedy, herói do título mais importante da história do Tricolor carioca, não conseguia (e ainda não consegue) se firmar. Everaldo se queimou pelo chute que não deu. Foi embora.
A consequência foi a pressão do técnico Luis Zubeldía, da torcida e de boa parte dos comentaristas pela contratação de um centroavante, um fazedor de gols pronto. É nesse cenário que aparece Hulk. Ele não é um homem de área, um camisa 9 nato. Porém, é um atacante eficiente. Sabe fazer gols. E, apesar de também estar no ocaso da carreira, tem alguma lenha ainda para queimar. Hulk vai completar 40 anos. Os dirigentes entenderam que seria um nome de peso para acalmar a torcida.

O problema é que a negociação não deu certo no começo do ano, e a pressão nas Laranjeiras só aumentou. A cartolagem tricolor quase entrou em desespero e passou a rezar para que aparecesse alguém no mercado para ser contratado. Apareceu Rodrigo Castillo e seus gols pelo Lanús contra o Flamengo na Recopa Sul-Americana. Alívio geral nas Laranjeiras.
R$ 68 milhões por Castillo
E lá foi o Flu apostar no argentino dos gols contra o maior rival. Não importou o fato de ele ter um currículo bastante pobre. Os gols que derrotaram o Flamengo foram suficientes para o acerto e um contrato. E o clube do Rio, sem pestanejar, fez a “maior contratação de sua história”. Na verdade, a contratação mais cara. Pagará, no total, a bagatela de R$ 68 milhões, somando os cerca de R$ 52 milhões que irão para o Lanús e os impostos correspondentes.
Castillo ainda está em fase de adaptação. É compreensível. Mas já deixou claro que seu forte é o cabeceio. Embaixo, joga mais com a canela do que com os pés. Ou seja, já começa a causar desconfiança.
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Foi quando Hulk reapareceu. E lá está a diretoria a negociar sua contratação, esforçando-se para não perder essa segunda chance. Tudo indica que agora vai dar certo. O contrato com o Atlético-MG já foi rompido. Há quem garanta que o acordo até o fim de 2027 em troca de R$ 2 milhões mensais já está assinado. Mas ainda há trâmites nesse caminho. Hulk só poderá jogar pelo Flu a partir de 20 de julho, cinco dias antes de completar 40 anos.

Independentemente da idade, tem boas chances de agregar em um setor ofensivo que sofre com as precipitações e com um futebol mais ou menos (para ser elegante) de Serna e Canobbio. Até jogando um pouco mais atrás, Hulk poderá ser útil. Poderá também ser uma companhia para o centroavante do Fluminense. Sobretudo o Flu de Zubeldía, cujo centroavante, seja ele quem for, leva, certamente contra a vontade, a vida de fazer inveja ao mais convicto dos ermitões.
Jogador que faz a diferença
Mas Hulk não é um jogador barato. Como Castillo também não foi. E nenhum deles é o centroavante dos sonhos de comissão técnica, torcida e imprensa. Por isso, fica a pergunta: no futebol atual — em que é cada vez mais importante o clube cuidar das finanças, até para alcançar uma condição que lhe permita montar elencos fortes e capazes de lutar sempre por títulos, a exemplo de Palmeiras e Flamengo —, vale a pena gastar muito com jogadores que não farão diferença? Sucumbir à pressão e fazer qualquer coisa só para dar satisfação à torcida, normalmente se torna um gol contra.





