Por Luís Rosa

Aos 40 anos, o zagueiro Sergio Ramos, que saiu do clube como promessa, construiu uma das carreiras mais vitoriosas do futebol europeu e retornou à Andaluzia sem sucesso, agora se movimenta para participar do futuro institucional do Sevilla. Ele sempre teve com o Sevilla uma relação difícil de resumir. Mas foi ali que se formou, dali saiu aos 19 anos para o Real Madrid. Foi também para onde voltou também quase duas décadas depois para tentar uma reconciliação esportiva e emocional. Mas em outra condição. Perto do encerramento definitivo da carreira como jogador, Sergio Ramos encabeça um grupo de empresários que negocia a compra do clube.

Siga The Football

Segundo informações divulgadas na Espanha, pelo Marca, de Madri, Sergio Ramos avançou em uma tentativa de compra do Sevilla ao lado do grupo Five Eleven Capital. De acordo com estimativas e avaliações de mercado, o Sevilla acumula dívidas de 155 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 900 milhões.

Sergio Ramos, zagueiro que fez história no Real Madrid, está prestes a comprar o Sevilla, que o revelou / PSG

O prejuízo foi distribuído entre as temporadas 2022/23, com 19 milhões de euros — cerca de R$ 110 milhões; 2023/24, com 82 milhões de euros — aproximadamente R$ 474,5 milhões; e 2024/25, com 54 milhões de euros, o equivalente a R$ 312,5 milhões. A reunião desta segunda-feira, realizada em um hotel da capital andaluza, reuniu representantes dos principais acionistas do clube espanhol, integrantes do grupo investidor e René Ramos, irmão do jogador.

Uma corrida contra o tempo

O grupo corre contra o tempo para bater o martelo. Isso porque tem um período de exclusividade para tentar fechar a operação ainda neste mês, portanto antes do fim oficial da temporada. Depois disso, outros interessados de qualquer parte do mundo poderão apresentar propostas.

A eventual compra do Sevilla pelo consórcio de investidores liderado por Sergio Ramos também teria impacto direto sobre o futuro do jogador dentro de campo. Para que a operação avance sem conflito regulatório, o zagueiro teria de encerrar oficialmente a carreira, já que as normas de LaLiga não permitem que atletas em atividade tenham participação direta na propriedade de clubes que disputam a mesma competição.

De Sevilla à estrela do futebol mundial

Para Sergio Ramos, a operação tem um componente que vai além do investimento. Ele não é um jogador qualquer tentando entrar no futebol por meio de um fundo de investimento. É um nome produzido pela base sevillista. É fruto da terra. Nascido em Camas, na região metropolitana de Sevilla, chegou jovem ao clube, aos 15 anos, cresceu nas categorias inferiores e estreou como profissional antes de completar a maioridade futebolística.

Sergio Ramos pode ser o novo patrão do Sevilla, clube que o formou e o vendeu para o Real Madrid / Sevilla

Em agosto de 2005, Sergio Ramos foi vendido ao Real Madrid, transferência que marcou sua carreira e deixou uma ferida simbólica em parte da torcida andaluza. No Real Madrid, o zagueiro se tornou um personagem de outra escala. Foram 16 temporadas, mais de 600 jogos, títulos nacionais, conquistas internacionais e uma presença que ultrapassou a função de xerifão da zaga madrilenha.

Sergio Ramos no PSG

Capitão, cobrador de pênaltis, líder de vestiário e defensor com produção ofensiva incomum, ele participou de uma era que recolocou o clube espanhol no centro da Europa.
Pela seleção espanhola, fez parte do período mais vencedor do país. Foi campeão da Eurocopa de 2008, da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012. Sergio Ramos encerrou a sua trajetória pela Espanha como recordista de partidas pela seleção. Poucos jogadores da sua geração combinaram longevidade, peso competitivo e protagonismo em clubes e seleção como ele.

Mas depois do Real Madrid, ele nunca mais repetiu o sucesso. Passou pelo Paris Saint-Germain, onde viveu um ciclo mais curto, marcado inicialmente por problemas físicos e títulos nacionais. Em seguida, voltou ao Sevilla para a temporada 2023/24. O retorno teve mais significado simbólico do que estabilidade esportiva. Era o reencontro de um jogador consagrado com o clube de origem, mas também com uma instituição bem menos confortável do que aquela que durante anos se acostumou a competir com força na Europa.

Sergio Ramos foi campeão do mundo com a Espanha na África do Sul: história de conquistas / Instagram

Na sequência, Ramos assinou com o Monterrey, do México, já em uma etapa final da carreira. Pelo clube mexicano, o zagueiro fez 38 partidas, entre 22 de fevereiro a 6 de dezembro do ano passado.

Se a compra avançar, a história terá uma volta rara: o menino formado pelo Sevilla, depois transformado em capitão de uma potência europeia e da seleção nacional, tentando dirigir o destino do clube que o revelou. Não seria apenas um retorno. Seria uma mudança de papel. E talvez o último grande capítulo público de Sergio Ramos no futebol não seja escrito dentro de campo, mas na mesa onde se decide quem manda no Sevilla.

Sevilla luta contra o rebaixamento

O movimento para a chegada de novos donos acontece em uma das fases mais delicadas da história recente do Sevilla. Enquanto a negociação societária avança nos bastidores, o time ainda tenta confirmar sua permanência na primeira divisão espanhola.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

O risco esportivo pesa sobre qualquer avaliação financeira. Um Sevilla em LaLiga e um Sevilla rebaixado são ativos diferentes, com receitas, exposição, planejamento e compromissos profundamente alterados. Com a vitória em casa, por 2 a 1, em confronto direto contra o Espanyol, de Barcelona, o Sevilla terminou a 35ª rodada na 13ª colocação, com 40 pontos, três à frente do Alavés, 18º colocado, primeiro dos três que ocupam a zona de rebaixamento. Restam três jogos para terminar a competição: Villarreal (fora, nesta quarta-feira), Real Madrid (domingo, em casa) e fecha a LaLiga, dia 23 (fora, contra o Celta de Vigo).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui