Por Luís Rosa
Estêvão, atacante do Chelsea e um dos jogadores mais valorizados pelo técnico Carlo Ancelotti desde o início do seu trabalho no Brasil, ficou fora da pré-lista enviada pela CBF à Fifa nesta segunda-feira. A decisão, sustentada pela avaliação médica sobre a lesão muscular sofrida no dia 18 de abril, encerra qualquer possibilidade de participação do jogador no Mundial.
A ausência do ex-palmeirense não representa apenas a perda de um talento jovem e habilidoso. Ela interfere diretamente na arquitetura ofensiva pensada pelo técnico Carlo Ancelotti. Canhoto, Estêvão vinha sendo usado como uma peça de aceleração pelo lado direito, com capacidade de atacar espaços curtos, conduzir a bola em velocidade e oferecer uma alternativa diferente em relação aos demais atacantes do elenco. Era, dentro do ciclo recente da seleção brasileira, um jogador com função clara.

A lesão que o tirou da Copa aconteceu no dia 18 de abril, durante o clássico entre Chelsea e Manchester United, pelo Campeonato Inglês. No primeiro tempo, Estêvão arrancou pela direita, entrou na área e, no movimento final da jogada, sentiu a contusão. Após a bateria de exames, constatou-se uma lesão muscular grave de grau 4 na coxa direita, com ruptura quase total.
Estêvão não fará cirurgia
O lance não teve a aparência dramática de uma contusão grave, mas os exames posteriores indicaram um quadro incompatível com o calendário apertado até a Copa. A tentativa de recuperação foi conduzida com cautela. O atacante optou por não passar por cirurgia e viajou ao Brasil para realizar tratamento conservador, com a expectativa de encurtar o caminho de volta aos gramados.
O esforço, no entanto, esbarrou na realidade médica. A comissão técnica não poderia incluir na lista final um jogador sem garantia mínima de recuperação competitiva para a fase inicial do torneio. Além de não disputar a sua primeira Copa do Mundo, Estêvão corre o risco de não voltar aos gramados no retorno do futebol na Inglaterra, em agosto.
Endrick ganha espaço
A perda pesa também pelo rendimento recente. Estêvão vinha se afirmando como um dos nomes mais produtivos da era Ancelotti na seleção brasileira. Ele chegou ao Chelsea no segundo semestre do ano passado, após a negociação com o Palmeiras, e enfrentou alguns períodos de ausência por problemas físicos.

Curiosamente, seu último gol e partida com a camisa do Palmeiras foi na derrota por 2 a 1 diante do Chelsea, nas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, nos Estados Unidos. No Chelsea, apesar da adaptação natural ao futebol inglês, também acumulava minutos importantes, gols, assistências e participação constante em jogos de alto nível. Mesmo assim, conseguiu números relevantes em sua primeira temporada pelos Blues: foram oito gols e três assistências em 36 partidas. Na seleção brasileira, o impacto também foi imediato. O atacante se destacou nos compromissos mais recentes e marcou cinco gols em 11 jogos, o artilheiro da era Ancelotti.
Endrick ganha espaço
Com a saída de Estêvão, Endrick, outra estrela que surgiu nas categorias de base do Palmeiras, está confirmado entre os 26 nomes que defenderão o Brasil no Mundial e passa a ocupar uma posição estratégica no elenco de Ancelotti. Apesar da frustração dos palmeirenses em não ver os Crias da Academia, Endrick chega em alta.

A sua convocação já era bem encaminhada pelo desempenho recente com a camisa do Lyon, na França, mas a ausência do ponta do Chelsea reduz a concorrência por vagas ofensivas e amplia sua importância no grupo. Endrick chega à seleção em um momento diferente daquele vivido em sua primeira temporada no Real Madrid, quando foi comandado por Ancelotti. O empréstimo ao Lyon lhe deu aquilo que faltava em Madri: sequência, responsabilidade e participação direta no jogo. Na França, o atacante recuperou ritmo competitivo, voltou a decidir partidas e passou a ser observado não apenas como promessa, mas como jogador em processo real de amadurecimento.
Detalhe é decisivo
A Copa de 2026 não encontra Endrick como um menino protegido pelo entusiasmo em torno de seu nome. O ex-palmeirense chega mais exposto, mais cobrado e mais testado. A passagem pelo Lyon serviu para tirá-lo da condição de reserva de luxo em um elenco estrelado e colocá-lo em um ambiente no qual precisava produzir semanalmente. Para Ancelotti, esse tipo de rodagem tem valor.
Depois do Mundial, com a possibilidade de o português José Mourinho retornar ao clube de Madri, a tendência é que Endrick retorne também ao Real Madrid para a temporada 2026/2027. O clube espanhol trabalha com uma reorganização do elenco e vê o brasileiro como parte do novo ciclo ofensivo. A experiência no Lyon, somada à presença na Copa, pode recolocá-lo em outro patamar dentro do planejamento merengue. Não se trata apenas de voltar ao clube: trata-se de voltar com mais repertório, mais minutos acumulados e maior peso competitivo.
Entenda a pré-lista para a Copa
A pré-lista enviada pela CBF à Fifa nesta segunda-feira faz parte do protocolo das seleções antes da Copa do Mundo. Ela permite a inscrição de até 55 jogadores, mas apenas 26 estarão na delegação definitiva. A convocação final será anunciada por Ancelotti no dia 18, às 17h (horário de Brasília), no Museu do Amanhã, no Rio. Após a divulgação da relação final, alterações só podem ocorrer dentro das condições previstas pelo regulamento, especialmente em caso de lesão comprovada.
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Na prática, a exclusão de Estêvão antes da lista final mostra que a comissão técnica preferiu não levar ao torneio uma dúvida física de alto risco. O Brasil estreia no Mundial em 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey.





