O Palmeiras é o grande vitorioso após a 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. Afinal, no confronto direto, o time derrotou o Flamengo, o segundo colocado, e abriu sete pontos na primeira colocação. Além disso, contou com os tropeços de Fluminense e São Paulo, que começaram a rodada no G4. É uma liderança indiscutível, mas longe de ser comemorada. Entretanto, o Verdão é melhor em tudo: 38 pontos, com 11 vitórias, cinco empates e uma derrota. Ostenta o melhor ataque, 29 gols, e a defesa menos vazada: 13 gols sofridos.
A diferença de sete pontos em relação ao Flamengo, que tem um jogo a menos, pode parecer pequena para um campeonato de 38 rodadas, mas ela esconde uma mudança maior: o Palmeiras de 2026 não depende, até aqui, da narrativa da recuperação.

Assim, na briga do G4 com os outros dois concorrentes, a situação ficou a seguinte: terceiro colocado, o Fluminense foi derrotado por 1 a 0 pelo Mirassol e estacionou nos 30 pontos. O Athletico-PR venceu o Remo, de virada, por 2 a 1 e subiu para a quarta colocação, com 27 pontos. Então quarto colocado, o São Paulo empatou por 1 a 1 com o Botafogo e caiu para o quinto lugar, com 25.
Luta de recuperação
No recorte do que ocorreu em 2025, nessa etapa o Palmeiras ainda precisava colar nos líderes, administrar jogos pendentes (na 17ª rodada, tinha dois jogos a menos pelo adiamento contra Juventude e Santos), lidar com oscilações e sobreviver a tropeços contra adversários diretos. No ano passado, após 17 jogos, o time de Abel aparecia em terceiro lugar, com 32 pontos, atrás de Flamengo e Cruzeiro. Nesta edição, no entanto, a equipe chega à mesma altura do campeonato em outro cenário. Não é perseguidora. É referência, o rival a ser batido.
O dado mais interessante está no tipo de campanha. Em 2025, o Palmeiras terminou o campeonato como vice, com 76 pontos, a melhor campanha em toda a história dos pontos corridos com 20 clubes. Mas carregou marcas difíceis de apagar: não venceu Flamengo, Cruzeiro, Mirassol, Bahia e Vitória ao longo da disputa. Neste ano, o desempenho é melhor, pois venceu os quatro rivais da parte de cima da tabela: Flamengo, Fluminense, Athletico-PR e São Paulo.
Mandante sólido
A grande diferença entre o Palmeiras de 2025 e o de 2026 aparece dentro de casa. No ano passado, o time fazia uma campanha quase perfeita como visitante, mas deixava pontos demais escapar como mandante. Até a 16ª rodada, foram apenas 11 pontos em sete jogos no Allianz, aproveitamento de 52,38%, o 17º desempenho do campeonato no recorte. Mesmo com a vitória sobre o Grêmio na rodada seguinte, o saldo doméstico ainda era modesto: 14 pontos em oito partidas, com duas derrotas e dez pontos desperdiçados.
Em 2026, o problema virou solução. Nas oito primeiras partidas como mandante, o Palmeiras somou 20 pontos, venceu seis vezes, empatou duas e não perdeu. O ataque também mudou de patamar: de oito gols marcados em casa no mesmo recorte de 2025 para 15 em 2026. A defesa sofreu os mesmos seis gols, mas o saldo saltou positivo de dois para nove. A leitura é clara: o Palmeiras não apenas melhorou como mandante como transformou a sua casa em base de sustentação da liderança.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Esse ajuste muda a natureza da campanha. Em 2025, o Palmeiras precisava compensar em viagens aquilo que não resolvia diante da própria torcida. Neste ano, não carrega essa dívida. A força fora segue importante, como mostrou o 3 a 0 sobre o Flamengo no Maracanã, no sábado, mas a liderança nasce de um equilíbrio mais confiável: pontuar alto em casa, reduzir tropeços evitáveis e obrigar os concorrentes a correrem atrás desde cedo.
Abel: um passo de cada vez
Como diz o técnico Abel Ferreira, “campeonato de pontos corridos é uma maratona”. Portanto, é muito cedo para transformar liderança em sentença. Se correr demais no início pode faltar fôlego na reta final. Entretanto, depois de 17 rodadas, já existe material suficiente para afirmar: o Palmeiras de 2026 não está apenas mais bem colocado do que o de 2025. Está contando outra história. Menos baseada em reação e mais apoiada em domínio. Menos refém de pendências e mais dono do próprio roteiro.

Na famosa virada de chave, o Palmeiras precisa aproveitar a energia da vitória sobre o Flamengo e canalizar para buscar a vaga às oitavas de final da Libertadores. Nesta quinta-feira, o time recebe o Barranquilla e basta um empate. Para ser primeiro colocado do Grupo F, além de vencer, tem de torcer para que o Sporting Cristal ganhe do Cerro Porteño, em Assunção. As duas partidas começam às 19h (horário de Brasília). Para fechar o semestre, o Palmeiras recebe a Chapecoense no próximo domingo, também como mandante, na última partida antes da paralisação para a Copa do Mundo.





