A vitória sobre o Flamengo, por 3 a 0, neste sábado, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro, ajuda a engrossar o currículo de Allan. O ponto mais importante da história não está no recorte de uma noite. Está no modo como o Palmeiras passou a tratar o jogador: não como uma revelação em fase de teste, mas como um patrimônio esportivo capaz de se transformar em uma das próximas grandes receitas do clube no mercado internacional. O gol e a assistência contra um adversário direto funcionam como vitrine. A estratégia, porém, começou antes.

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Como um ativo, Allan, 22 anos, é mais bem elaborado porque não segue exatamente o roteiro de Endrick e Estêvão. Os dois foram negociados antes de completarem 18 anos, ainda associados à ideia de raro potencial técnico e margem de crescimento. Endrick acertou a transferência ao Real Madrid em torno de 72 milhões de euros (R$ 422 milhões na cotação atual), em todas as metas .Enquanto Estêvão foi negociado com o Chelsea em acordo de até 61,5 milhões de euros (R$ 360 milhões, na cotação atual), somando valor fixo e metas.

Allan O garoto Allan celebra o seu gol na vitória sobre o Flamengo em mais atuação decisiva em jogo grande do Palmeiras
O garoto Allan celebra o seu gol na vitória sobre o Flamengo em mais atuação decisiva em jogo grande / Palmeiras

Por ter mais experiência, Allan entra nessa conversa por outro caminho: o do jogador que já passou por uma etapa maior de maturação, ganhou minutos no profissional, respondeu em jogos relevantes e começou a reduzir, aos olhos de quem compra, parte do risco que acompanha uma contratação feita apenas por projeção.

Paciência é alma do negócio

É por isso que o Palmeiras vem tentando controlar o tempo para uma eventual transferência. O clube já mostrou, com Endrick e Estêvão, que aprendeu a negociar a partir de uma posição de força. No caso de Allan, essa força passa por três movimentos: contrato longo, multa elevada e recusa de ofertas que poderiam seduzir boa parte dos clubes brasileiros. 

O vínculo foi ampliado até 31 de dezembro de 2029, segundo informação do próprio Palmeiras. A multa para o exterior é de 100 milhões de euros (R$ 586 milhões, na cotação atual) e o clube detém 70% dos direitos econômicos do jogador. 

A consequência prática dessa blindagem apareceu em janeiro de 2026. O Napoli apresentou proposta de 35 milhões de euros (R$ 218,7 milhões na cotação da época), mais 5 milhões de euros (R$ 31 milhões) em bônus. Antes, o Zenit havia feito oferta de 20 milhões de euros (R$ 124 milhões), também com bônus de 5 milhões (R$ 31 milhões). O Palmeiras recusou as propostas. Não foi apenas uma resposta financeira. Foi uma mensagem ao mercado: Allan não seria vendido no primeiro pacote robusto que chegasse à mesa.

Portanto, o Palmeiras mira uma venda no padrão das grandes operações recentes. O plano é segurar Allan para tentar uma negociação acima de 40 milhões de euros (R$ 235 milhões, na cotação atual) justamente na linha dos nomes mais valorizados formados na Academia de Futebol. Essa régua é relevante porque desloca o jogador de uma categoria comum no Brasil — a de promessa vendida antes de consolidar valor — para uma categoria mais rara: a do ativo que o clube tenta valorizar por desempenho, presença competitiva e utilidade imediata.

De novo, decisivo

Em síntese, a história de Allan em ser protagonista em jogos decisivos começou na última rodada da fase de grupos do Campeonato Paulista, no dia 23 de fevereiro do ano passado. Anotou o gol na vitória, por 3 a 2, sobre o Mirassol, no interior, que classificou o Palmeiras às quartas de final. Dali, o time arrancou para a decisão, mas perdeu o título para o Corinthians.

Aposta na escalação no duelo de volta com a LDU, na semifinal da Copa Libertadores, Allan comandou a “noite mágica” no Allianz Parque. Na goleada por 4 a 0 sobre os equatorianos, que levou o Palmeiras à final, o Cria da Academia deu assistência para o gol de Ramón Sosa e sofreu o pênalti convertido por Raphael Veiga no lance que virou o agregado, em 4 a 3 para os palmeirenses. Na final contra o Flamengo, em Lima, no Peru, o garoto jogou bem, mas não foi o suficiente para evitar o vice-campeonato.

Palmeiras brilha no Maracanã Cria da Academia de Futebol, Allan (à dir.) festeja o seu gol com Andreas Pereira (esq.) e Flaco López
Cria da Academia de Futebol, Allan (à dir.) festeja o seu gol com Andreas Pereira (esq.) e Flaco López / Palmeiras

Fala, Allan

Como resultado, em mais uma noite inesquecível, neste sábado, Allan foi o “cara” na vitória sobre o Flamengo, por 3 a 0, no Maracanã. Foi dele a assistência para o gol de Flaco López, no primeiro tempo, e depois ampliou de ombro, no início do segundo tempo.

“A gente sabe o tamanho desse duelo e a importância desse jogo, ainda mais pela circunstância que vinha se criando depois de três partidas sem vitória (pelo Brasileirão). Conseguir vencer aqui no Maracanã é muito importante para a sequência do campeonato”, disse o garoto, sobre o duelo decisivo.

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Na sequência, o camisa 40 detalhou o improviso na jogada que terminou no seu gol.

“Eu vi a bola e, quando percebi, ela já estava em cima. Só pensei em cabecear. Fechei os olhos porque o zagueiro (lateral direito Varella) vinha com o pé alto, mas fui feliz no lance. Estou muito feliz pela vitória, pelo gol e pela assistência. Agora é dar sequência”, afirmou Allan, em entrevista ao canal SporTV. 

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