O Arsenal não está de volta ao palco na França, onde viveu um dos piores pesadelos de sua história. A final da Liga dos Campeões é em Budapeste, neste sábado, às 13h (horário de Brasília), no Estádio Puskás Arena. Mas a França voltou a se colocar no caminho do Arsenal. Assim, vinte anos depois da noite em que a taça escapou no Stade de France, em Saint-Denis, região metropolitana de Paris, o clube londrino chega novamente à decisão do maior torneio de clubes do planeta.

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Em 2006, o adversário era o Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho, Eto’o, Deco e companhia. Agora, é o Paris Saint-Germain, atual campeão europeu, representante de um país que, para o Arsenal, deixou de ser apenas cenário e virou símbolo de uma ferida ainda aberta no futebol.

arsenal do brasileiro Gabriel Magalhães fica com o título do Campeonato Inglês
Convocado para a Copa, o zagueiro brasileiro Gabriel Magalhães comanda a muralha defensiva do Arsenal / Arsenal

A final perdida para o Barcelona não foi uma derrota comum. Foi uma daqueles confrontos que permanecem na memória do torcedor não apenas pelo resultado, mas pelo que quase aconteceu. O Arsenal jogou boa parte da decisão com um a menos, após a expulsão do goleiro Jens Lehmann ainda no primeiro tempo, saiu na frente com gol do zagueiro Sol Campbell e resistiu como pôde até a reta final. Quando o título parecia possível, o Barcelona virou, com o empate de Eto’o e depois veio o do lateral direito brasileiro Belletti, um herói improvável, e empurrou o Arsenal para uma espera que agora completa duas décadas.

Do futebol-arte ao pragmatismo

O Arsenal de 2006 carregava a assinatura estética de Arsène Wenger. Era um time associado à elegância, à circulação limpa, à leveza técnica e à figura de Thierry Henry como farol. Aquele Arsenal quase venceu pela inspiração, pela coragem e pela capacidade de resistir mesmo em desvantagem. O Arsenal de Mikel Arteta, que conquistou o Campeonato Inglês após 22 anos, trilha o sucesso por outro caminho. Menos romântico e mais duro. Menos dependente de um gênio absoluto e mais amparado por uma engrenagem coletiva.

É um time que aprendeu a ganhar sem precisar seduzir o tempo todo. Pressiona, compacta, protege a própria área, explora bola parada, controla espaços e aceita que uma final de Liga dos Campeões raramente premia apenas quem joga mais bonito. Premia quem sofre melhor, quem administra melhor os momentos ruins e quem transforma detalhe em sentença.

Os números explicam essa mudança de patamar. O Arsenal chega à decisão invicto na competição, com 11 vitórias e três empates. Também construiu uma campanha de força defensiva rara, com nove partidas sem sofrer gols. Em um torneio que costuma expor qualquer fragilidade, Arteta levou o time até a final sustentado por algo que faltou a muitos Arsenais do passado: estabilidade emocional e segurança sem bola.

Arsenal tem páreo indigesto

O problema é que, do outro lado, estará o time que melhor aprendeu a viver do desequilíbrio. O PSG não chega como promessa. Chega como campeão. Depois de conquistar a Champions de 2025, o clube francês volta à final com pinta de favorito e tentando dar ao título anterior uma dimensão ainda maior. Ganhar uma vez encerra uma obsessão. Ganhar de novo muda o lugar de um clube na história recente da Europa.

O Paris Saint-Germain, de Luis Enrique, oferece um contraste perfeito para a narrativa. É um time de volume ofensivo, velocidade, agressividade e talento espalhado pelo ataque. O PSG chega à final em Budapeste com o ataque mais produtivo da Champions: são 44 gols em 16 partidas, média de 2,75 por jogo, apenas um abaixo do recorde de uma edição no formato com fase de grupos/liga até a decisão.

Campeão com o Barcelona e PSG, o técnico Luis Enrique busca o terceiro título na Liga dos Campeões / PSG

Decisão eletrizante

Do outro lado, o Arsenal sustenta a campanha com outra força: sofreu só seis gols e passou nove jogos sem ser vazado. Será uma final contra o campeão que tenta se confirmar como potência duradoura. Por isso, a decisão carrega dois significados paralelos. Para o PSG, é a oportunidade de transformar a conquista em domínio. Para o Arsenal, é a chance de transformar reconstrução em consagração.

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Arteta assumiu um clube quebrado em convicção, distante dos grandes centros de decisão e acostumado a ver a Champions como território alheio. Reergueu o Arsenal por etapas: primeiro devolveu competitividade, depois identidade, depois título nacional, agora presença na final mais importante do calendário europeu. A final contra o PSG aparece como a última fronteira desse processo.

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